Project AP. Maristas
Vamos escrever sobre o que nos apetecer, da forma que sentirmos, sem nunca pensarmos porque é que o continuamos a fazer...
Frase do Dia
- "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"
sábado, 25 de junho de 2011
Aprendemos a não ter mais do que aquilo que nos prometem.
Somos ensinados a não desejar mais do que aquilo que podemos.
Escolhem-nos destinos que lhes parecem certos.
Dão-nos luz para nos guiarmos entre a manada.
Um mapa para a encruzilhada.
E um deus, para quando der jeito.
Outros tantos, vão-nos dando água para calar a sede da amargura.
De vez em quando uma flor, para o velório da aventura, que devia ter existido e nunca existiu.
Uma quantas vezes uns sapatos novos, porque a vida dura dói, mas não magoa.
E há quem ainda tenha espaço para trazer o chapelinho amarelo. Fofinho e quentinho, no verão, faz lembrar o ventre da mamã, que de parecença com Mãe só mesmo a capacidade de chocar filhos.
Pode ser assim?
Pode. É muitas vezes assim. Demasiadas vezes até.
Começa a estar na hora de
Aprendermos o que não é permitido ser ensinado
de
Desejarmos aquilo que nunca ninguém desejou
de
Escolhermos o nosso próprio destino.
de
Nos guiarmos pelo luar.
de
Largarmos a bússola e partir para a descoberta
de
Concebermos um deus, que exista no que de divino Ele nos deixou
de
Passarmos sede de amarguras
de
Proclamarmos a ressurreição da nossa nossa aventura, que não tendo existido, Tem de existir
de
Andarmos mais vezes de chinelos
de
Largarmos o chapéu amarelo e andarmos de cabelo ao vento.
Somos ensinados a não desejar mais do que aquilo que podemos.
Escolhem-nos destinos que lhes parecem certos.
Dão-nos luz para nos guiarmos entre a manada.
Um mapa para a encruzilhada.
E um deus, para quando der jeito.
Outros tantos, vão-nos dando água para calar a sede da amargura.
De vez em quando uma flor, para o velório da aventura, que devia ter existido e nunca existiu.
Uma quantas vezes uns sapatos novos, porque a vida dura dói, mas não magoa.
E há quem ainda tenha espaço para trazer o chapelinho amarelo. Fofinho e quentinho, no verão, faz lembrar o ventre da mamã, que de parecença com Mãe só mesmo a capacidade de chocar filhos.
Pode ser assim?
Pode. É muitas vezes assim. Demasiadas vezes até.
Começa a estar na hora de
Aprendermos o que não é permitido ser ensinado
de
Desejarmos aquilo que nunca ninguém desejou
de
Escolhermos o nosso próprio destino.
de
Nos guiarmos pelo luar.
de
Largarmos a bússola e partir para a descoberta
de
Concebermos um deus, que exista no que de divino Ele nos deixou
de
Passarmos sede de amarguras
de
Proclamarmos a ressurreição da nossa nossa aventura, que não tendo existido, Tem de existir
de
Andarmos mais vezes de chinelos
de
Largarmos o chapéu amarelo e andarmos de cabelo ao vento.
sábado, 18 de junho de 2011
"Ensaio para um exame de patifes"
Movidos por momentos "nerds" obrigatórios, todos temos sido nestes últimos tempos ratos de biblioteca... Uns mais que outros, já se sabe, mas todos ("e coitadinhos de nós!") vamos sofrendo um pouco com esta literatura que nos é impingida, cuspida... como se de baldes de cuspo vivesse a alma.
Por ter surgido de uma forma distinta, (isto é, espontânea) daquela que surge essa literatura cuspida, partilho convosco um texto, cujo título ousa ser "Ensaio para um exame de patifes" (O querido Saramago que me perdoe o plágio "inocente"...e os "patifes" que me perdoem a denominação pouco estóica)
A palavra “viagem” corre, só por si, o Mundo inteiro. Nos diferentes idiomas o ser Humano expressa a sua vontade de partir para se encontrar a si e aos “outros”. Movidos por um impulso de fuga, por um chamamento divino ou mesmo porque a curiosidade é, e será sempre, o verdadeiro motor da nossa existência, partimos na busca da aventura, do conhecimento ou do sossego.
Também eu, amante das viagens, vejo sempre e em cada uma, a demanda do espírito que,me permitirá adquirir um novo tesouro, cujo conteúdo me é oferecido pelos novos povos com que contacto, pela cultura ou pelos elementos naturais distintos, dos que encontro no lugar a que chamo “casa”. O ganhar de uma nova visão sobre as distinções existentes entre as diversas culturas é dos aspectos que mais me atrai. Por exemplo, quando assistimos a uma celebração eucarística de uma diferente religião, num país também ele diferente, o conhecimento do outro e de uma outra divindade pode revelar-se uma experiência inesquecível. A gastronomia é, sem dúvida, outro factor interessante a considerar. Os portugueses afirmam-se um pouco por todo o Mundo neste domínio, no entanto, será nobre relembrar que a nossa riqueza, a nossa expressividade nesta arte está intimamente relacionada com as viagens realizadas num passado glorioso. Viajar para conhecer outras culturas gastronómicas é por isso, não só uma retoma de velhas práticas como também uma forma de alargarmos, ainda mais se possível, o nosso conhecimento.
Em suma, a viagem, para além de oferecer ao homem a possibilidade de se libertar de um “monótono dia a dia” ou de uma “ânsia de querer viver tudo”, permite um profundo contacto com outro. O outro que existe em cada nova experiência que vivemos e que nos deixa uma marca duradoura na memória e, quiçá, na vida.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
África
Correr para ficar só
e extasiada, naquela bruma
que encandeia, que alegra,
que gera vontade.
Sentir os sons,
os cheiros, as cores
o quente da aragem,
do infinito que existe,
na profunda renovação do "eu".
Isto é África meus amigos,
não a África que existe
na tristeza dos jornais,
ou nas lágrimas dos esfomeados.
Esta é a África bela,
O lugar único.
O lugar onde Deus ousou espelhar
o que de mais belo
existe na imaginação dos Homens.
Sentir-me,
É sentir-me lá,
numa África que podendo não existir no espaço
podendo não existir no tempo
da minha infância ou da minha velhice
Existe.
Porque outrora a sonhei.
e extasiada, naquela bruma
que encandeia, que alegra,
que gera vontade.
Sentir os sons,
os cheiros, as cores
o quente da aragem,
do infinito que existe,
na profunda renovação do "eu".
Isto é África meus amigos,
não a África que existe
na tristeza dos jornais,
ou nas lágrimas dos esfomeados.
Esta é a África bela,
O lugar único.
O lugar onde Deus ousou espelhar
o que de mais belo
existe na imaginação dos Homens.
Sentir-me,
É sentir-me lá,
numa África que podendo não existir no espaço
podendo não existir no tempo
da minha infância ou da minha velhice
Existe.
Porque outrora a sonhei.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Ir
Ir:O movimento que consegue não nos mover.
Pensamos que vamos,
Queremos ir
Fazemos de tudo para o conseguir...
E não vamos.
Sentimos tudo para ir,
fazemos as malas e as despedidas...
Mas ficam só as palavras.
Não vamos.
Quando vamos,
Ah...
quando vamos,
tão poucas vezes...
Não existe
Nenhum movimento real,
Nenhuma mudança,
Nenhum novo Mundo.
É ir.
Ir,
pensando que algo vai mudar...
e nada muda.
Por isso, no fim,
o que sentimos
é como se nunca tivéssemos chegado a ir.
Pior,
é sentir que fomos, voltámos
e nada trouxemos.
Está na hora,
está na hora de deixarmos de ser
estas coisas Humanas.
Vamos.
Vamos.
Vamos.
Porque eu quero ir.
E não preciso de fugir,
Não preciso de ir para longe,
Só preciso de sentir...
A metamorfose que se sente,
quando se vai.
Vamos.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Um livro
Procura-se naquela Savana de mistérios,
O livro Esquecido,
que durante tanto tempo
foi para nós
Vivo
E Vida.
Corro.
Não correndo como uma preza corre.
Com o medo de vir a perder,
O que inconscientemente,
não chama vida,
mas vive.
É correr... procurando.
Como uma mãe corre,
sempre, sem mostras de cansaço,
pelos seus filhos.
Essas inscrições,
esse livro,
que não sendo o feto do meu ventre
É na verdade um fruto,
Do que mais nosso existe.
É o meu e o teu filho.
É o nosso fruto,
tão apetec(ido)
e tão proibido.
Quando um dia,
nos lembramos de procurar
as memórias,
todas estas memórias.
Não é por acaso.
É porque temos saudades.
E as minhas,
não são do livro,
que deixámos na Savana.
O livro Esquecido,
que durante tanto tempo
foi para nós
Vivo
E Vida.
Corro.
Não correndo como uma preza corre.
Com o medo de vir a perder,
O que inconscientemente,
não chama vida,
mas vive.
É correr... procurando.
Como uma mãe corre,
sempre, sem mostras de cansaço,
pelos seus filhos.
Essas inscrições,
esse livro,
que não sendo o feto do meu ventre
É na verdade um fruto,
Do que mais nosso existe.
É o meu e o teu filho.
É o nosso fruto,
tão apetec(ido)
e tão proibido.
Quando um dia,
nos lembramos de procurar
as memórias,
todas estas memórias.
Não é por acaso.
É porque temos saudades.
E as minhas,
não são do livro,
que deixámos na Savana.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
(V)ealidade
Parada.
Como a chuva quando nos chega ao canto da boca,
E não encontra mais
Espaço de fruição.
Do que me apercebo,
pouco conta.
Tudo o resto que me passa:
Verdades, verdades, verdades.
Era só assim que queria:
O recalcado para um eu,
que não preciso de conhecer.
O Dependente para um eu,
que sonho não existir.
E por fim,
As verdades, verdades, verdades,
Para uma realidade que julgam existir,
Mas que,
Nunca o seria (real) caso esse dom não lhe concedêssemos .
Mas...
Pára.
Sim, tu também.
Não são essas
Verdades, verdades, verdades
que me incomodam.
É o valor que lhes dás.
Não será tudo mais verdade,
Embora menos real,
Tudo aquilo que julgamos parte de um sonho,
ou parte de uma estrutura inexistente?
E aqui paramos.
Tu e eu.
Absortos:
Pressupõe a verdade realidade?
...
Todo o inverso será chuva.
Chuva ácida, que escorre, sempre, pelos cantos da boca.
Como a chuva quando nos chega ao canto da boca,
E não encontra mais
Espaço de fruição.
Do que me apercebo,
pouco conta.
Tudo o resto que me passa:
Verdades, verdades, verdades.
Era só assim que queria:
O recalcado para um eu,
que não preciso de conhecer.
O Dependente para um eu,
que sonho não existir.
E por fim,
As verdades, verdades, verdades,
Para uma realidade que julgam existir,
Mas que,
Nunca o seria (real) caso esse dom não lhe concedêssemos .
Mas...
Pára.
Sim, tu também.
Não são essas
Verdades, verdades, verdades
que me incomodam.
É o valor que lhes dás.
Não será tudo mais verdade,
Embora menos real,
Tudo aquilo que julgamos parte de um sonho,
ou parte de uma estrutura inexistente?
E aqui paramos.
Tu e eu.
Absortos:
Pressupõe a verdade realidade?
...
Todo o inverso será chuva.
Chuva ácida, que escorre, sempre, pelos cantos da boca.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Há muito
Avizinhando-se um fim violento,
já só o coração palpita,
pelas hipóteses que escolhi e não escolhi.
No fim de fazer as minhas, e as contas do Diabo,
no fim de perder horas a fio
nas insónias,
nos sonhos tristes,
nos infortúnios maiores que as glórias;
Só tenho uma certeza:o grito final será meu!
Poderás gritar também...
Mas não te quero ouvir.
Há muito que já só me vejo a mim,
naquele prado verde,
já seco de tantos Invernos terem por lá passado.
Há muito que só me vejo a mim,
Em todo e em qualquer lugar...
E nesta minha confissão,
Que apesar de minha, só para mim traz surpresa,
Não te desculpo, nem peço desculpas,
Porque tu, e só tu...
Já sabias quem eu era...
Muito antes de eu ou o Amor existirmos.
já só o coração palpita,
pelas hipóteses que escolhi e não escolhi.
No fim de fazer as minhas, e as contas do Diabo,
no fim de perder horas a fio
nas insónias,
nos sonhos tristes,
nos infortúnios maiores que as glórias;
Só tenho uma certeza:o grito final será meu!
Poderás gritar também...
Mas não te quero ouvir.
Há muito que já só me vejo a mim,
naquele prado verde,
já seco de tantos Invernos terem por lá passado.
Há muito que só me vejo a mim,
Em todo e em qualquer lugar...
E nesta minha confissão,
Que apesar de minha, só para mim traz surpresa,
Não te desculpo, nem peço desculpas,
Porque tu, e só tu...
Já sabias quem eu era...
Muito antes de eu ou o Amor existirmos.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
O constraste n'Os Lusíadas
Os Lusíadas, uma obra de contrastes.
Em tudo Luís Vaz de Camões foi um irreverente. Pela vida que escolheu, ou não escolheu, pelas questões, pelas respostas, pelos desacatos, pelo sentido humanista fervoroso e até pela epopeia que criou, que apesar das regras rígidas a que é restrita, teve a possibilidade de encontrar a profunda ruptura com o que habitualmente chamamos clássico.
Na grandiosa obra Camoniana, ao contrário de todos os outros que pelo Velho continente ousaram apenas representar e glorificar os feitos de um herói individual ou colectivo, encontramos um novo sentido para a escrita do século XVI. Assumindo um espírito pedagógico Camões, associou à magnífica história das Descobertas e à fantasia dos Deuses pagãos a crítica ao povo que lhe era contemporâneo e ao próprio povo da Era Áurea. Assim, mais ou menos nas entrelinhas de uma obra densa, mas como uma valorosidade digna de um génio, o Poeta não chega só ao coração, mas também à consciência dos que ousam navegar num oceano que é tão ou mais profundo que o próprio Índico.
Não é só pela ruptura, não é só pela novidade que foram Os Lusíadas, que consideramos esta obra, uma obra de contrastes. É por todas as almas que inquietadas ficaram com as maravilhas e as desgraças que os próprios portugueses edificaram. Nesta epopeia, sempre por desvendar, temos acesso ao bom e ao mau, ao claro e ao escuro, à coragem que se culmina na chegada, ao medo que se revela com o Gigante Adamastor, à debilidade e angústia do Velho do Restelo, à ambição dos Reis que fizeram cumprir as jornadas, à fé que se queria difundir numa missão de cruzada, ao ouro que se queria adquirir nas novas rotas comerciais traçadas... Tudo isto mais as críticas à própria falta de sentido crítico, à ausência de inquietação perante a arte, a poesia, o conhecimento e a música. Os apelos ao Rei que tinha de ter a coragem para enfrentar os inimigos e honrar os amigos, os apelos... tantos apelos contrastantes, que ganhando vida numa História passada, deram a Camões o lugar de narrador nesta estória bastante mais intemporal.
Tudo isto (e tudo o que está para além do que se vê), se encontra num enorme fascículo de dez cantos. Estes que, apesar de complexos formal e informalmente, têm a capacidade de deleitar qualquer um que se lance na descoberta da literatura camoniana. Na leitura, somos sugados pela emoção de uma passado que é de todos nós, um passado que vive no sangue velho dos nossos avós, um passado que é simultaneamente uma frida, que continuamente aberta, nos relembra todos os dias que o Tempo e a Glória que construímos um dia a partir da Barra, não mais nos pertencem. Nisso também Camões pensou, cansando-se da gente surda e endurecida, apelou às novas conquistas, à libertação da vã cobiça, da tirania e da vil tristeza, de tal forma que, possamos verdadeiramente ascender um dia ...ao estatuto de heróis honrados.
Em tudo Luís Vaz de Camões foi um irreverente. Pela vida que escolheu, ou não escolheu, pelas questões, pelas respostas, pelos desacatos, pelo sentido humanista fervoroso e até pela epopeia que criou, que apesar das regras rígidas a que é restrita, teve a possibilidade de encontrar a profunda ruptura com o que habitualmente chamamos clássico.
Na grandiosa obra Camoniana, ao contrário de todos os outros que pelo Velho continente ousaram apenas representar e glorificar os feitos de um herói individual ou colectivo, encontramos um novo sentido para a escrita do século XVI. Assumindo um espírito pedagógico Camões, associou à magnífica história das Descobertas e à fantasia dos Deuses pagãos a crítica ao povo que lhe era contemporâneo e ao próprio povo da Era Áurea. Assim, mais ou menos nas entrelinhas de uma obra densa, mas como uma valorosidade digna de um génio, o Poeta não chega só ao coração, mas também à consciência dos que ousam navegar num oceano que é tão ou mais profundo que o próprio Índico.
Não é só pela ruptura, não é só pela novidade que foram Os Lusíadas, que consideramos esta obra, uma obra de contrastes. É por todas as almas que inquietadas ficaram com as maravilhas e as desgraças que os próprios portugueses edificaram. Nesta epopeia, sempre por desvendar, temos acesso ao bom e ao mau, ao claro e ao escuro, à coragem que se culmina na chegada, ao medo que se revela com o Gigante Adamastor, à debilidade e angústia do Velho do Restelo, à ambição dos Reis que fizeram cumprir as jornadas, à fé que se queria difundir numa missão de cruzada, ao ouro que se queria adquirir nas novas rotas comerciais traçadas... Tudo isto mais as críticas à própria falta de sentido crítico, à ausência de inquietação perante a arte, a poesia, o conhecimento e a música. Os apelos ao Rei que tinha de ter a coragem para enfrentar os inimigos e honrar os amigos, os apelos... tantos apelos contrastantes, que ganhando vida numa História passada, deram a Camões o lugar de narrador nesta estória bastante mais intemporal.
Tudo isto (e tudo o que está para além do que se vê), se encontra num enorme fascículo de dez cantos. Estes que, apesar de complexos formal e informalmente, têm a capacidade de deleitar qualquer um que se lance na descoberta da literatura camoniana. Na leitura, somos sugados pela emoção de uma passado que é de todos nós, um passado que vive no sangue velho dos nossos avós, um passado que é simultaneamente uma frida, que continuamente aberta, nos relembra todos os dias que o Tempo e a Glória que construímos um dia a partir da Barra, não mais nos pertencem. Nisso também Camões pensou, cansando-se da gente surda e endurecida, apelou às novas conquistas, à libertação da vã cobiça, da tirania e da vil tristeza, de tal forma que, possamos verdadeiramente ascender um dia ...ao estatuto de heróis honrados.
segunda-feira, 28 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Chegou
O que há em mim é um profundo sentido de renovação.
Renasci de uma morte que já não me pertence e onde fui viva.
Voltei de uma luz, que foi muito mais vezes brilhante, cintilante do que frágil.
Voltei de um sonho que vivi, ou pelo menos pensei que vivi, porque é isso que verdadeiramente importa. Voltei desse sonho para uma realidade que na verdade, sempre chamou por mim. E por isso, por uma qualquer réstia de real ter sempre andado por lá, eu vivo o de hoje feliz pelo que passou e não na amargura dos que tentam esquecer o que de melhor lhes aconteceu.
O que há em mim é renovação.
Assim, depois de tantas ameaças... Não a ti, mas a mim mesma, parto com o coração aliviado de um viajante.
Chegou a verdadeira hora de largar o que foi nosso...E que agora, já não o é.
Renasci de uma morte que já não me pertence e onde fui viva.
Voltei de uma luz, que foi muito mais vezes brilhante, cintilante do que frágil.
Voltei de um sonho que vivi, ou pelo menos pensei que vivi, porque é isso que verdadeiramente importa. Voltei desse sonho para uma realidade que na verdade, sempre chamou por mim. E por isso, por uma qualquer réstia de real ter sempre andado por lá, eu vivo o de hoje feliz pelo que passou e não na amargura dos que tentam esquecer o que de melhor lhes aconteceu.
O que há em mim é renovação.
Assim, depois de tantas ameaças... Não a ti, mas a mim mesma, parto com o coração aliviado de um viajante.
Chegou a verdadeira hora de largar o que foi nosso...E que agora, já não o é.
domingo, 13 de março de 2011
Uns pós de nada de uma Mensagem
A Mensagem é: A procura do íntimo da razão que ilumina a vida, que vale a pena ser vivida.
O ilustre Sr. Fernando Pessoa (será redutor chamar-lhe poeta, uma vez que, este grande génio da literatura portuguesa e mundial edificou um espólio que vai muito para além da mera poesia, estendendo-se à prosa, à filosofia e a outras tantas abordagens possíveis do que nos rodeia e compõe), deixou em vida uma única obra escrita em português Mensagem. Mensagem, que significa " A Mente move a matéria" é uma obra exímia, épico-lírica, que abordando os factos relativos à expansão marítima portuguesa, bem como tudo o que por detrás deles se esconde, é de fácil leitura, mas difícil compreensão.
Pessoa deixou à Língua Portuguesa, à sua verdadeira pátria, um enigma por desvendar, uma mensagem oculta e misteriosa que será apenas decifrável por aqueles que se lançando no percurso iniciático da razão e do sonho, pretendam seguir o caminho imortalizado da virtude e da gnose. Luzidamente, o multifacetado "artista", recita-nos um passado materialmente realizável e realizado, apresenta-nos um conjunto de figuras fundamentais a essa apoteose profana, dá ao leitor uma verdadeira, mas hermética descrição dos valores, promessas e desejos que se escondem nos rostos rígidos e invictos dos Reis e Guerreiros portugueses. Tudo isso e todos eles, foram asa, espada e cabeça de um brasão materialmente mitigado e lisonjeado. Apesar dos referidos esforços, de toda a vontade, todo o sofrimento e Mostrengos vencidos, o império português, construído através do cumprimento marítimo, se desfez. A letargia e decadência impostas desde então, vêm em estado latente pelas Eras, gritando intemporalmente o poeta: Senhor, falta cumprir-se Portugal! É neste grito de ipiranga introspectivo, que Pessoa abre mão do conceito bíblico Quinto Império. Anunciando a vinda de um herói encoberto, que erguendo a espada da bravura lusitana, fará cumprir se um novo mar infinito que é português. Apunhalando a Distância inatingível, lançando-se na linha fria do Horizonte e elevando-se através do mito que é um nada que é tudo, este D. Sebastião que noutro nome mais alto se irá fazer reconhecer é o verdadeiro herói desta história que é Nossa. Mais do que uma simples epopeia onde os bons derrotam os maus e um final claro se desenha desde o princípio, esta obra, envolta em símbolos dos quatro cantos telúricos, fala-nos de um futuro possivelmente promissor, mas sempre em aberto, o que gera nos heróis dos Tempos e da actualidade uma vontade de chegar a uma nova Índia, que não existe no espaço, mas que será desbravada pelas naus que são construídas daquilo que os sonhos são feitos.
Deus quer, Deus quis que este Fatum se cumpri-se. E desde então, esse destino vive corrente, como sangue que circula nas veias dos nossos avós e dos nossos filhos, esperando-se o dia em que os lusos Adão e Eva no íntimo sofrimento patriótico dêem a este Tempo os filhos que ele merece.
Vós sois a luz do Mundo (Apóstolo Mateus)
É hora.
terça-feira, 1 de março de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Outras tantas coisas que somos
Somos miolo de um mesmo pão que ganha bolor em mãos alheias.
O que escrevo sem sentido, só para ti tem caminho.
O que escreves na loucura, faz-se raíz da minha alma,
Penetra fundo como quando morro de sede...
Neste mar demasiado salgado.
Seremos nós.
Se existirem dois seres que sofram da mesma forma,
Seremos nós.
Se existirem dois seres que silenciem pelas mesmas causas,
pelos mesmos efeitos
e em simultâneo,
Seremos nós.
Que saudade esta,
que trago e tenho.
Queria estar como o nosso sangue:
Unido, em vasos distindos.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Leve
O Ar fizera-se mais leve...
Era tempo de deixar tudo o que nos prendia.
Os horrores, pelos tempos negros,
As vigaríces, pelas horas de culpa,
Os medos, pelo que não contemplam,
E por fim, todas essas "coisas" terrenas que não valem a pena.
É tão fácil deixar o que nos custa...
Ah ah,
Tão fácil, tão fácil.
De sorriso, sorriso grande...
Empunhado, é claro.
Não importam, essas coisas que nada valem,
passam como o ar puro que agora respiro:
Amanhã, hoje talvez ao fim do dia, já tudo tenha passado.
Era tempo de deixar tudo o que nos prendia.
Os horrores, pelos tempos negros,
As vigaríces, pelas horas de culpa,
Os medos, pelo que não contemplam,
E por fim, todas essas "coisas" terrenas que não valem a pena.
É tão fácil deixar o que nos custa...
Ah ah,
Tão fácil, tão fácil.
De sorriso, sorriso grande...
Empunhado, é claro.
Não importam, essas coisas que nada valem,
passam como o ar puro que agora respiro:
Amanhã, hoje talvez ao fim do dia, já tudo tenha passado.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
Enough
Frágil meu e teu
Por não ter sido a sós
Por ter Sido (Ser)
Por nos ter Tido (Ter).
Quem me dera
Saber beber dessa gota de amar.
Um copo partido em casa
Morrer de sede no próprio mar.
É frágil nosso
Mau para o corpo
Mau para a alma
Bom para o Morto
Bom até para a calma
Companhia ainda a há
Esperança ainda tenho e,
Por não ter sido a sós
Por ter Sido (Ser)
Por nos ter Tido (Ter).
Quem me dera
Saber beber dessa gota de amar.
Um copo partido em casa
Morrer de sede no próprio mar.
É frágil nosso
Mau para o corpo
Mau para a alma
Bom para o Morto
Bom até para a calma
Companhia ainda a há
Esperança ainda tenho e,
Contenho.
Será algum dia possível este Adeus do Amor?
Será (já foi)?
Irá (já cá não está)?
Será algum dia possível este Adeus do Amor?
Será (já foi)?
Irá (já cá não está)?
É frágil por se querer partir, mas ainda não ter partido.
sábado, 29 de janeiro de 2011
No fim
Nunca nos tornamos verdadeiramente selvagens:
Porque os Outros nos impedem.
Vão-nos amparando aqui e ali.
Falam-nos de consolo e de apoio.
Vão estando lá,
para o sussurro e bajulação.
Vamos rindo e chorando
Com tantos ao nosso lado.
Temos medo, medos comuns muitas vezes.
Chegamos a cumes com Eles,
Vencemos em equipa.
Resistimos a derrotas num grito comum.
Protestamos em conjunto.
Somos vistos como um todo,
e avaliados nem na metade.
Somos símbolo de união,
numa individualidade oposta.
Quando amamos,
Amamo-nos uns aos outros.
Somos o Nós em todas essas circunstâncias...
Mas esquecemo-nos que, afinal
Nascemos sós,
Morrendo da mesma forma.
No fim de tudo isto,
Somos nós connosco.
Se é difícil imaginar a paz
Na alegria da solidão?
É.
Mas acredita,
És só tu contigo
E eu comigo.
Porque os Outros nos impedem.
Vão-nos amparando aqui e ali.
Falam-nos de consolo e de apoio.
Vão estando lá,
para o sussurro e bajulação.
Vamos rindo e chorando
Com tantos ao nosso lado.
Temos medo, medos comuns muitas vezes.
Chegamos a cumes com Eles,
Vencemos em equipa.
Resistimos a derrotas num grito comum.
Protestamos em conjunto.
Somos vistos como um todo,
e avaliados nem na metade.
Somos símbolo de união,
numa individualidade oposta.
Quando amamos,
Amamo-nos uns aos outros.
Somos o Nós em todas essas circunstâncias...
Mas esquecemo-nos que, afinal
Nascemos sós,
Morrendo da mesma forma.
No fim de tudo isto,
Somos nós connosco.
Se é difícil imaginar a paz
Na alegria da solidão?
É.
Mas acredita,
És só tu contigo
E eu comigo.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Um dia
Um dia vamos estar demasiado velhos para andar a pé e subir montanhas, já não apreciaremos o ar puro do campo e os animais que nele habitam. Vamos passar a vida a dizer "No meu tempo é que era" ou "Já não se fazem coisas como antigamente", vamos resmungar mais e preocupar-nos demasiado connosco. Um dia vamos deixar de ter paciência para acordar de madrugada para ver o nascer do sol, vamos deixar de nos empolgar horas antes de irmos sair à noite, vamos deixar de sentir o arrepio na barriga a cada vez que vemos a pessoa que amamos. Um dia vamos deixar de nos rir das piadas secas dos amigos, vamos achar que somos demasiado adultos e, recusaremos qualquer partida de Party&Company. Um dia vamos começar a vestir saias compridas e a dizer "Vai-se andando", porque o frio nos vai gelar os ossos e nunca mais iremos permitir que o calor das pernas de adolescente extermine o gelo glaciar. Um dia vamos deixar de surpreender quem mais gostamos, porque sofremos por essas ou outras pessoas, vamos achar que dar flores está fora de moda e que, um postal com simples frases é coisa de miúdos. Um dia vamos todos entrar na faculdade e deixar de ter tempo para a família e para os velhos amigos, vamos andar sempre de trombas, vamos achar que as dificuldades só nos tocam nós e que por isso há que ter direito de exilo. Um dia vamos deixar de achar graça ao Natal, porque vamos achar que já não temos a verdadeira idade para essas fantasias. Não vamos ver graça nos presentes e vamos passar a consoada a contar as notas que o avô nos deu. Um dia vamos deixar de gostar de coisas novas, porque tudo já está inventado e tudo já está dito. Já não vamos ter prazer em ir a um restaurante novo, porque afinal ,trata-se apenas de ter uma coisa diferente no prato. Vamos deixar de querer viajar, porque isso mata a carteira de muita gente e porque cada vez mais os terroristas fazem cair aviões. Um dia vamos deixar de escrever, por acharmos que já não temos a quem escrever, que já não temos capacidades para o fazer. Um dia vamos deixar de nos encontrar, porque os telemóveis e os chats abreviam o tempo da viagem para ir ter com o outro. Um dia vamos deixar de sorrir por chegar à estação de comboio de Cascais ou de Lisboa, vamos deixar de nos rir a cada vez que tropeçamos e caímos, vamos ser demasiado sérios no cumprimento de regras, mas caso apareça uma possibilidade de fuga ao fisco, não vamos hesitar. Um dia vamos deixar de ir ao teatro, porque nos vai custar vestir roupa chique ou então porque o teatro vai ser cada vez mais caro. Um dia vamos deixar de chorar de emoção, porque já nada nos vai ser capaz de comover, vamos deixar de andar às cavalitas ou de levar alguém ou colo porque "Estou muito gordo" ou "Não tenho forças". Um dia vamos deixar de nos sentir bem a tirar fotografias, porque isso implica ter sempre a mão fora do bolso e estar atento. Um dia vamos passar mais tempo sozinhos, vamos deixar de acreditar nas pessoas, vamos achar que a culpa é do Mundo e vamo-nos esquecer do mal que fizemos. Um dia vamos achar que house é coisa de gente esquisita, Kuduro é para malta de baixo nível e o que está a dar é somente o monótono sussurrar das moscas. Um dia vamos achar que temos de tomar muito café para nos mantermos acordados, vamos achar que ser fino é não falar com estranhos e vencer na vida é sinónimo de ter muito dinheiro. Um dia vamos ter profundas e dolorosas saudades de quem verdadeiramente gostámos e gostou de nós, vamos chorar por não termos dito o que pensámos ou sentimos, vamos sentir frio por não termos abraçado aquele amigo que sempre esteve lá. Um dia vamos casar com a pessoa que não gostamos, porque não fomos humildes ou porque pura e simplesmente não nos apeteceu sair de uma zona de conforto. Um dia seremos muito mais tristes, azedos, cinzentos e snobs...
Nesse dia, o mais provável é deixarmos de partilhar todas estas coisas...
Por isso aqui fica uma sugestão...
Quando esse dia chegar... vira-lhe as costas.
Pequena adaptação do anúncio Sumol
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Umas quantas passas
As sombras não têm tempo, são uma roda intermitente sem necessidade de contagem.
As realidades ou irrealidades verdadeiramente importantes, não são mensuráveis.
As ausências não se trocam, coincidem.
O que damos não contamos, o que recebemos não esquecemos.
As palavras nunca chegam nem nunca servem.
Qualquer coisa que se diga, já foi dito. Não existem palavras por dizer...
Os perfumes cheiram-se, as ruas sentem-se.
E quando isto se troca... Por fim...está feito.
As realidades ou irrealidades verdadeiramente importantes, não são mensuráveis.
As ausências não se trocam, coincidem.
O que damos não contamos, o que recebemos não esquecemos.
As palavras nunca chegam nem nunca servem.
Qualquer coisa que se diga, já foi dito. Não existem palavras por dizer...
Os perfumes cheiram-se, as ruas sentem-se.
E quando isto se troca... Por fim...está feito.
Nós
O que mais gosto em nós...
Não são as ideologias de esquerda ou de direita,
Não são as beatices ou as descrenças,
Não é a inteligência,
Não é a imaginação,
Não são os sentimentos ou a falta deles,
Não é o cepticismo nem as influências,
Não é o gosto nem a preguiça,
Não são as falhas nem os triunfos,
Não é o que criamos nem o que paramos de criar,
Não é a mentalidade meticulosamente matemática,
Nem a crença pura no poder das letras.
Não é a capacidade de julgar nem a de silenciar,
Não é o desleixo nem a obcessão...
Não é...e é tudo.
O que mais gosto em nós...é capacidade de aceitarmos... todas estas coisas...
Em cada um de nós.
Não são as ideologias de esquerda ou de direita,
Não são as beatices ou as descrenças,
Não é a inteligência,
Não é a imaginação,
Não são os sentimentos ou a falta deles,
Não é o cepticismo nem as influências,
Não é o gosto nem a preguiça,
Não são as falhas nem os triunfos,
Não é o que criamos nem o que paramos de criar,
Não é a mentalidade meticulosamente matemática,
Nem a crença pura no poder das letras.
Não é a capacidade de julgar nem a de silenciar,
Não é o desleixo nem a obcessão...
Não é...e é tudo.
O que mais gosto em nós...é capacidade de aceitarmos... todas estas coisas...
Em cada um de nós.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Álvaro no seu sentido mais leve
De acordo com a carta escrita por Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, Álvaro de Campos terá nascido em Tavira a 15 de Outubro de 1890. Nesta mesma cidade algarvia terá frequentado um liceu comum e aprendido, por via de um tio que era Padre, o Latim. Mais tarde ter-se-á mudado para Glasgow onde inicialmente frequentou o curso de engenharia Mecânica. Não tendo terminado esta licenciatura, optou pela engenharia Naval. Ainda na Escócia desenvolveu actividades ligadas à sua profissão, tendo posteriormente se mudado para Lisboa, onde passou à inactividade.
Na sua biografia é de destacar um acontecimento importante na marcação do período de passagem de uma fase de decadência para uma fase de histeria e alvoroço, a viagem ao Oriente (momento em que foi escrito o "Opiário).
No que diz respeito às características físicas, vemos grande similaridades com o próprio Fernando Pessoa. Campos era magro, alto, com uma tendência para se curvar, usava monóculo. De cabelo liso e moreno, ainda que com alguns cabelos brancos, aparentava ser um judeu português.
Ao nível das características informais, será necessário fazer uma divisão das fases distintamente personalizadas que o poeta atravessara.
Numa primeira instância, temos a fase decadentista, esta caracterizou-se por uma cansaço e sentido enfastiante da vida; numa necessidade de corromper o estado amorfo em que se encontrava, o poeta partiu na descoberta de novas sensações, viajando para o Oriente.
Tendo regressado à Europa, foi conduzido a um novo estado anímico. Integrando as correntes modernistas aí exultadas, Campos celebrou nesta fase futurista/sensacionista o triunfo da novidade, a energia, a força, a rapidez, as dinâmicas imparáveis que deixavam o século 20 cada vez mais "louco".
Por último, pela incapacidade de realização, pela constatação do mistério indesvendável das sensações, Álvaro cai num diferente estado abúlico e desesperançado. Apartando-se de tudo e de todos, não encontra em parte alguma o sentido da existência, o motivo da sobrevivência.
Será desprezível a leveza na abordagem de cada uma das fases mencionadas, às quais o próprio poeta se sujeitou,ou não. Talvez Pessoa, se tenha sentido verdadeiramente sozinho e, por essa razão, terá criado um ser incomodamente parecido consigo, que incluiu na sua roda imparável de emoções e para sempre recordada dos tempos outrora heróicos. Caminhando lado a lado com a melancolia, com o desejo do inatingível e com a profunda agustia de não realizar o irrealizável, estas duas almas singularizam-se num uníssono de vazio, de cansaço, de desgosto não desgostado pela vida.
Sempre tentaram, sempre tentaram se esconder numa qualquer coisa matrializável... na máquina, no álcool, no ópio, nos outros, na infância, no sono ou no simples verso. A verdade é que sempre tentaram esconder uma qualquer coisa, que na poesia intelectualizada que escrevem se desvenda irremediavelmente... a tristeza de um dia terem nascido no Mundo e para o Mundo.
Tentemos por isso, mais uma vez, na porcaria da mentalidade de português, compreender uma qualquer coisa nos génios, que os próprios nunca compreenderam em si.
Que me poupem a alma... Deus nosso! Eles nasceram no Mundo e para o Mundo, mas nunca fizeram parte dele... Como poderemos nós, simples mortais, que nada mais conhecem para além da janela da vizinha, apartar-nos dessa realidade idealmente criada e vivermos, por um só segundo a genialidade deste deus fecundo?...Dessa Pessoa, que até o sobrenome teve...?
Frente e Verso
Já pelo sair da porta da frente...
Num sussurro,
Alguma coisa,
Alguém, talvez,
Chamou por mim.
Tinha de voltar para averiguar.
-"Esqueceram-se-me as queijadas".
Um toque fatal. Uma falha crucial.
Afinal, ainda existem coisas que nos fazem parar e voltar.
Mal ou bem, que esse regresso me fez...
Aconteceu.
Para a frente e para trás, também a evolução se faz.
Num sussurro,
Alguma coisa,
Alguém, talvez,
Chamou por mim.
Tinha de voltar para averiguar.
-"Esqueceram-se-me as queijadas".
Um toque fatal. Uma falha crucial.
Afinal, ainda existem coisas que nos fazem parar e voltar.
Mal ou bem, que esse regresso me fez...
Aconteceu.
Para a frente e para trás, também a evolução se faz.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Fim
Acordei e pensei:
Hoje terminou uma etapa.
Hoje começou uma nova etapa em mim.
Não veio de fora para dentro.
Veio de mim para mim, fugindo de certo para fora.
É hora...
É tempo de partir...
Tudo o que foi meu, levo no coração e no baú das memórias.
Hoje terminou uma etapa.
Hoje começou uma nova etapa em mim.
Não veio de fora para dentro.
Veio de mim para mim, fugindo de certo para fora.
É hora...
É tempo de partir...
Tudo o que foi meu, levo no coração e no baú das memórias.
domingo, 9 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Dividir II
Depois, no grupos dos que sonham...
Temos os que nunca chegam a ir,
Os que vão mas arrependem-se,
Os que pensam que vão,
Os que vão e nada deixam,
Os que não vão nem deixam ir,
Os que vão por obrigação...
E talvez existam...
Os que vão e são muitas vezes felizes por um dia terem ido.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Artista
Artista.
Normais ou anormais,
Não importa.
Mais bem parecidos,
Desparafusados.
Quiçá comuns como todos os mortais...
Quiçá imortais, por construírem a tempo,
Mundos que próprio Mundo ainda não viu.
Os riscos, as cores, os relevos...
Naqueles dias foram assim
Por acaso,
Caso o acaso
Se lhes tenha tomado conta.
Naqueles dias foram assim
Sem acaso,
Porque algo os atormentou,
Porque naquele dia simplesmente,
Havia a necessidade de atribuir um novo rumo ao que mudou.
Grandes obras nascem duma guerra interior,
Por mil tentativas, uma fica perto.
Grandes obras nascem da ataraxia,
da impassibilidade estagnada em si mesma.
Assim é como na vida.
Os grandes feitos poderão vir da persistência...
Mas há sempre na história, uma descoberta na coincidência.
Os Artistas,
envolvem.
Petrificam.
Vão-nos às entranhas,
por se assemelharem a qualquer coisa que nos pertence,
ou pensamos que pertence.
Os Artistas,
às vezes não nos dizem nada.
Como o céu não diz nada aos peixes,
Ou como as letras,
Que nada significam para um analfabeto.
Os Artistas,
Os verdadeiros artistas...
Conheço poucos.
Os que conheço,
dão-me voltas.
Por isso gosto.
Gosto Muito.
Mais que tudo,
Mais que a atitude
Mais que a leveza de espírito,
Mais que os sentimentos que aspiram...
Mais que tudo isso.
O verdadeiro significado destas frases:
"A descoberta do cientista é o comum do artista. A idealização do artista é o falhanço do cientista"
Nós descobrimos uma qualquer coisa que já existe.
Vocês...
Vocês são Deuses, criam o inexistente
Normais ou anormais,
Não importa.
Mais bem parecidos,
Desparafusados.
Quiçá comuns como todos os mortais...
Quiçá imortais, por construírem a tempo,
Mundos que próprio Mundo ainda não viu.
Os riscos, as cores, os relevos...
Naqueles dias foram assim
Por acaso,
Caso o acaso
Se lhes tenha tomado conta.
Naqueles dias foram assim
Sem acaso,
Porque algo os atormentou,
Porque naquele dia simplesmente,
Havia a necessidade de atribuir um novo rumo ao que mudou.
Grandes obras nascem duma guerra interior,
Por mil tentativas, uma fica perto.
Grandes obras nascem da ataraxia,
da impassibilidade estagnada em si mesma.
Assim é como na vida.
Os grandes feitos poderão vir da persistência...
Mas há sempre na história, uma descoberta na coincidência.
Os Artistas,
envolvem.
Petrificam.
Vão-nos às entranhas,
por se assemelharem a qualquer coisa que nos pertence,
ou pensamos que pertence.
Os Artistas,
às vezes não nos dizem nada.
Como o céu não diz nada aos peixes,
Ou como as letras,
Que nada significam para um analfabeto.
Os Artistas,
Os verdadeiros artistas...
Conheço poucos.
Os que conheço,
dão-me voltas.
Por isso gosto.
Gosto Muito.
Mais que tudo,
Mais que a atitude
Mais que a leveza de espírito,
Mais que os sentimentos que aspiram...
Mais que tudo isso.
O verdadeiro significado destas frases:
"A descoberta do cientista é o comum do artista. A idealização do artista é o falhanço do cientista"
Nós descobrimos uma qualquer coisa que já existe.
Vocês...
Vocês são Deuses, criam o inexistente
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Pedalar
Uma das grandes questões existenciais:
Antes o último do primeiro pelotão do que o primeiro do segundo.
Parece fácil!?
Mas não é assim tão óbvio.
Antes o último do primeiro pelotão do que o primeiro do segundo.
Parece fácil!?
Mas não é assim tão óbvio.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Dividir
Os que sonham constroem o Mundo.
Os Outros limitam-se a copiar.
E assim se dividem as pessoas em dois tipos totalmente distintos.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Ser
Arrepio.
Naquela madrugada de cristal os sons ouviam-se mudos, como se tudo o que existe fosse fruto da nossa imaginação.
Enfrentando os pés quentes no orvalho da erva fresca, Respirei.
Respirei como se não houvesse fim.
Até sentir tonturas.
Até sentir dor de prazer na respiração.
Estava feliz.
Era eu. Sem ter de tentar.
E mesmo com o frio,
Mesmo com os cubos de gelo que encostaste à minha espinha,
Dolorosos, amargos, sem sentido,
Era eu.
Ser-se.
Coisa que já não consegues.
Tinhas medo...mas ficaste igual a todos os outros...
Assim...sem respirar o ar puro da manhã.
Naquela madrugada de cristal os sons ouviam-se mudos, como se tudo o que existe fosse fruto da nossa imaginação.
Enfrentando os pés quentes no orvalho da erva fresca, Respirei.
Respirei como se não houvesse fim.
Até sentir tonturas.
Até sentir dor de prazer na respiração.
Estava feliz.
Era eu. Sem ter de tentar.
E mesmo com o frio,
Mesmo com os cubos de gelo que encostaste à minha espinha,
Dolorosos, amargos, sem sentido,
Era eu.
Ser-se.
Coisa que já não consegues.
Tinhas medo...mas ficaste igual a todos os outros...
Assim...sem respirar o ar puro da manhã.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
IR
Como se o ar me levasse, vou para onde o vento soprar.
De rompante ou mais lento, assim se fará um novo estado emocional. Puro, Fresco, Precioso.
Desta cidade vou, porque no campo se fazem Homens melhores e mais felizes.
Quando voltar pode estar tudo na mesma, pode ter mudado tudo... Na certeza porém, jamais me reconhecerei na mesma pessoa...A Natureza transforma, porque se transforma a ela própria...
E nós, não nos recriamos nem criamos nada, ficamos tão simples na nossa eternidade, naquele mundo à parte longe do Mundo, mais perto do Animal do que do Homem que tentamos a cada dia ser.
Ainda Bem.
Até breve.
De rompante ou mais lento, assim se fará um novo estado emocional. Puro, Fresco, Precioso.
Desta cidade vou, porque no campo se fazem Homens melhores e mais felizes.
Quando voltar pode estar tudo na mesma, pode ter mudado tudo... Na certeza porém, jamais me reconhecerei na mesma pessoa...A Natureza transforma, porque se transforma a ela própria...
E nós, não nos recriamos nem criamos nada, ficamos tão simples na nossa eternidade, naquele mundo à parte longe do Mundo, mais perto do Animal do que do Homem que tentamos a cada dia ser.
Ainda Bem.
Até breve.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Relembrar
Hoje relembrei estas palavras de um dos meus livros preferidos:
"Soube então que dedicaria todos os minutos que nos restavam juntos a fazê-la feliz, a reparar o mal que lhe fizera e a devolver-lhe o que nunca soubera dar-lhe. Estas páginas serão a nossa memória até que o seu último suspiro se apague nos meus braços e eu a acompanhe mar adentro, onde a corrente rebenta, para mergulhar com ela para sempre e poder finalmente fugir para um lugar onde nem o céu nem o inferno possam alguma vez encontrar-nos."
Carlos Ruiz Zaffon
Bicho
Vai o que me dói naquele arrepio que te entra pelo corpo e que te não aborrece.
O que te faz trémulo é o Bicho. Aquele Bicho que se estende pela tua pele da mesma forma quando outrora um outro alguém (que não Bicho) o fazia.
Pouco a pouco consumindo-te uma alma que amo, aquele germe inominável apodera-se.
Sem dares por isso, como quando deixamos uma porta aberta e o frio entra sem pedir, vai-se-te carcomendo pedaços teus e meus que, a pouco e pouco, fomos fazendo nossos. Vai-se alterando a tua expressão, vão-se alterando muitas coisas na vida sem dar-mos por isso.
Tudo deixa de ter aspecto, deixa de importar.
As coisas perdem a graça. Mas ah! Quase que me esquecia...
O Bicho faz companhia. Não nos sentimos sós. Sentimo-nos preenchidos por uma coisa qualquer, qualquer coisa que valha, que ocupe espaço.
Parece isto ser o mais importante.
Parece.
Mas não é.
O que te faz trémulo é o Bicho. Aquele Bicho que se estende pela tua pele da mesma forma quando outrora um outro alguém (que não Bicho) o fazia.
Pouco a pouco consumindo-te uma alma que amo, aquele germe inominável apodera-se.
Sem dares por isso, como quando deixamos uma porta aberta e o frio entra sem pedir, vai-se-te carcomendo pedaços teus e meus que, a pouco e pouco, fomos fazendo nossos. Vai-se alterando a tua expressão, vão-se alterando muitas coisas na vida sem dar-mos por isso.
Tudo deixa de ter aspecto, deixa de importar.
As coisas perdem a graça. Mas ah! Quase que me esquecia...
O Bicho faz companhia. Não nos sentimos sós. Sentimo-nos preenchidos por uma coisa qualquer, qualquer coisa que valha, que ocupe espaço.
Parece isto ser o mais importante.
Parece.
Mas não é.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Eu sim
Viver.
(Se é que me faço ouvir)
Viver é muito bom.
Viver é a melhor coisa do mundo, porque é a única coisa que Existe no mundo.
E é vivendo que nos damos conta que a vida aí existe
Viver é bom.
Seja de que maneira for,
Viver é muito bom.
Mesmo que ainda não saibas porque é que vives,
Mesmo que já tenhas gastado mais de metade da tua vivência a pensar nisso.
Pensa que viveste a pensar em alguma coisa, numa ideia feliz.
Isso só por si já é bom.
Por isso viveste.
Parabéns por isso.
Eu também vivi.
E vou continuar a viver,
Acreditando que a vida é eterna,
Como as crianças acreditam no pai natal ou no menino jesus.
(Se é que me faço ouvir)
Viver é muito bom.
Viver é a melhor coisa do mundo, porque é a única coisa que Existe no mundo.
E é vivendo que nos damos conta que a vida aí existe
Viver é bom.
Seja de que maneira for,
Viver é muito bom.
Mesmo que ainda não saibas porque é que vives,
Mesmo que já tenhas gastado mais de metade da tua vivência a pensar nisso.
Pensa que viveste a pensar em alguma coisa, numa ideia feliz.
Isso só por si já é bom.
Por isso viveste.
Parabéns por isso.
Eu também vivi.
E vou continuar a viver,
Acreditando que a vida é eterna,
Como as crianças acreditam no pai natal ou no menino jesus.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Não (h)existe
Uma epidemia desassossegante flui como a raiva desce por nós quando nos fazem mal. Sentir esta nausea nauseabunda de viver pensado que se vive alguma coisa. Porque não se vive nada. Pensa-se que se vive, não se gastando mais tempo a pensar a vida do que a vivê-la. Viver é que é só por si não viver. Imaginar que temos o espaço e o tempo, quando não se tem. Isso é imaginar de mais. O tempo, o espaço, as coisas, as essências não existem. Conseguirmos até desconfiar da nossa própria existência é já dar à vida o apelido de sonho.e não te ponhas a pensar nisto. Não tem filosofia que sobeje. É assim porque é.
Num limbo tão seco de nada, numa casa tão vazia de pouca coisa, num povo que é farsa, que é nojo. Que é só alguma coisa tentando ser alguém. Não há vontade de ficar, há uma constante vontade de partir para qualquer sítio, longe deste desassossego que emociona, que entristece, que apodrece, que nos mantém vivos numa coisa que não queremos ser.Só queremos ver. Ver, porque isso anima a alma e deixa-a, por instantes, sossegada. Mas esquece, o limbo não se apoquenta, nunca. Está cá, mesmo quando a alma não está ou não quer estar.
Acordar em dias seguintes e contíguos unidos apenas pelo tempo, que não existe, e pelo espaço que se vê obrigado a existir,não existindo: é crime. Matar a alma com coisas metidas em becos de horas em chão e pântano... preferia ficar a dormir imaginando que vivia e não dormia.
Seria tentada a dizer que preferia não ter amanhã, sentir amanhã qualquer coisa entre o nada e o menos que nada...
Mas tem de ser, porque numa coisa ainda acredito: sossegar é morrer.
Isso não quero.
Enquanto ainda tiver esta curiosidade pelo amanhã, que é tão grande como o meu desassossego.
Vou continuar calada, embora que freneticamente a desejar viver isto que nem sequer existe.
Num limbo tão seco de nada, numa casa tão vazia de pouca coisa, num povo que é farsa, que é nojo. Que é só alguma coisa tentando ser alguém. Não há vontade de ficar, há uma constante vontade de partir para qualquer sítio, longe deste desassossego que emociona, que entristece, que apodrece, que nos mantém vivos numa coisa que não queremos ser.Só queremos ver. Ver, porque isso anima a alma e deixa-a, por instantes, sossegada. Mas esquece, o limbo não se apoquenta, nunca. Está cá, mesmo quando a alma não está ou não quer estar.
Acordar em dias seguintes e contíguos unidos apenas pelo tempo, que não existe, e pelo espaço que se vê obrigado a existir,não existindo: é crime. Matar a alma com coisas metidas em becos de horas em chão e pântano... preferia ficar a dormir imaginando que vivia e não dormia.
Seria tentada a dizer que preferia não ter amanhã, sentir amanhã qualquer coisa entre o nada e o menos que nada...
Mas tem de ser, porque numa coisa ainda acredito: sossegar é morrer.
Isso não quero.
Enquanto ainda tiver esta curiosidade pelo amanhã, que é tão grande como o meu desassossego.
Vou continuar calada, embora que freneticamente a desejar viver isto que nem sequer existe.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Natureza
Só me saem frases curtas...
Hoje digo: Amo a Natureza, mas não a sei amar...
E fico triste, muito triste com isso.
Ela merecia,
Pelo menos isso.
Hoje digo: Amo a Natureza, mas não a sei amar...
E fico triste, muito triste com isso.
Ela merecia,
Pelo menos isso.
domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Espectáculo
Bate palmas,
porque isso nos mantém unidos.
Sorri,
que isso fortifica-nos.
Sensibiliza-te,
porque isso cria laços.
Abraça,
porque isso mantém-nos quentes.
Naquela sala de espectáculo, para sempre imortalizadas as nossas vivências, as nossas brincadeiras, a nossa Amizade.
Por isso,um dia sentiremos profunda saudade daquelas sextas à noite, em que, numa questão de horas, tornávamo-nos realizados.No regresso a casa encostados ao vidro frio, éramos: Pelas relações e pelas lições.
Assim se faz Gente.
porque isso nos mantém unidos.
Sorri,
que isso fortifica-nos.
Sensibiliza-te,
porque isso cria laços.
Abraça,
porque isso mantém-nos quentes.
Naquela sala de espectáculo, para sempre imortalizadas as nossas vivências, as nossas brincadeiras, a nossa Amizade.
Por isso,um dia sentiremos profunda saudade daquelas sextas à noite, em que, numa questão de horas, tornávamo-nos realizados.No regresso a casa encostados ao vidro frio, éramos: Pelas relações e pelas lições.
Assim se faz Gente.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Escolher
De tão súbito,
Como o último suspiro nesta vida.
Deixámos de escrever.
Depois de sentirmos a vida fugir,
Num instante de respiração.
Vem a morte e o estar morto,
Vem o sentir-se fora de si.
Morrendo num sítio que ainda desconheço,
Chamarás pela vida, ou não.
Ao que consta de lá ninguém voltou,
Deve ser bom.
Por lá fica,
Se essa vida se te apetecer,
Mais do que esta
Como o último suspiro nesta vida.
Deixámos de escrever.
Depois de sentirmos a vida fugir,
Num instante de respiração.
Vem a morte e o estar morto,
Vem o sentir-se fora de si.
Morrendo num sítio que ainda desconheço,
Chamarás pela vida, ou não.
Ao que consta de lá ninguém voltou,
Deve ser bom.
Por lá fica,
Se essa vida se te apetecer,
Mais do que esta
Desejar
Desejar tão profundamente,
Não ligar,
Não atender a pedidos.
Desejar tão profundamente a indiferença.
Porque os diferenciados doem.
Desejar, desejar.
Porque só se começa a desejar,
Quando uma coisa,
Que outrora foi nossa,
Começa a tornar-se indesejável.
É isto desejar.
E por isto desejar é bom,
E por isto desejar é mau.
Não ligar,
Não atender a pedidos.
Desejar tão profundamente a indiferença.
Porque os diferenciados doem.
Desejar, desejar.
Porque só se começa a desejar,
Quando uma coisa,
Que outrora foi nossa,
Começa a tornar-se indesejável.
É isto desejar.
E por isto desejar é bom,
E por isto desejar é mau.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Português e Língua Portuguesa
Odeio Português.
Amo a Língua Portuguesa.
Levados como carneiros... Seremos um dia como os pensamentos de Caeiro, pouco alienados, restritos e acima de tudo como utopias infelizes.
Começa a estar na hora de lançarmos os espíritos ao lugar que lhes pertence.
Ao além.
Sejamos por uma vez livres.
Não sendo nas ruas, que seja no papel.
Amo a Língua Portuguesa.
Levados como carneiros... Seremos um dia como os pensamentos de Caeiro, pouco alienados, restritos e acima de tudo como utopias infelizes.
Começa a estar na hora de lançarmos os espíritos ao lugar que lhes pertence.
Ao além.
Sejamos por uma vez livres.
Não sendo nas ruas, que seja no papel.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Esperar
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Ao paralelo que me chama "sensível"
Numa daquelas manhãs amarelas, que mesmo claras não inspiram qualquer felicidade...entrei pela porta daquele edifício, a que um dia viria a chamar Casa.
De cabeça erguida, mas profundamente desmotivada, com uma camisa branca e umas calças pretas entrei naquela sala e sentei-me ao teu lado.
Aparentemente um rapaz com nervosismo miudinho, disperso, desatinado pelo sua perfeita disciplina. Quem sabe atento, mas o seu olhar não me dizia grande coisa. Era seco. Mal sabia o que dali viria.
Nesse dia fui capaz de sair sem saber o teu nome... Que importava? Não sabia nem o teu nem o de quase ninguém. E quando as pessoas não nos dizem nada inicialmente, temos tendência a colocá-las numa caixa fechada, no limiar de nós mesmos. Mal. Mas vá lá, esta não se fechou...
Semanas mal passadas no início. E por isso tu, tal como outras pessoas foram como peças de mobília, de um lar que não tinha vontade de construir.
Um dia um bichinho entrou-me, fulminante, pela entranhas. Foi numa aula de português. Ninguém se revelava muito e a tua intervenção, por muito brilhante que tenha sido, passou quase despercebida. Mas para mim não. Aquela tua frase parafraseada da obra de Camões foi como uma epifania. Senti-me ir ao céu... Foi um orgasmo literário. Rendi-me nesse momento.
A aproximação não foi fácil, mas foi natural. Tão natural, que ainda hoje nos revelamos como eternas novidades um ao outro.
As tuas adorações quase obscenas por algumas das figuras que marcaram este país, deixavam-me louca. Irritada. Era capaz de exultar tudo o que me vinha de ti, numa frase ríspida e intolerante. Mas calma, a curiosidade nesse ponto falou mais alto, fui capaz até, de ouvir com atenção, o que para mim eram barbaridades. (ai o silêncio, o silêncio das mulheres do Aristóteles).
Sempre me fascinou o teu poder imaginativo, o teu silêncio sábio, o teu riso primeiro tímido depois mais solto. Foi pouco a pouco, mas com muita intensidade que a minha admiração por ti se foi revelando.
As memórias destas vivências de três anos ficam guardadas em nós, livres como nós mesmos. Mas o que escrevo de ti para ti é eterno e inesgotável como o infinito no limite exponencial.Não me canso, não me cansas e isso é o que de mais belo há em nós.
O que mais desejo para ti é que sejas Feliz. Na tua tão pura racionalidade honesta, que vás mais longe que Kant, que escrevas melhor que Reis, que comandes melhor que os teus ídolos, que saibas mais, muito mais que o Marcelo Rebelo de Sousa. Não te preocupes, para tudo isto...só precisas de ser tu mesmo.
Gosto de Ti.
E estou feliz porque abri ao Mundo a caixa onde te tinha guardado.
Continuamos?Assim o espero, saberás melhor que eu que a vida é efémera e passageira.
domingo, 21 de novembro de 2010
Apologia ao amigo Reis
Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa terá nascido em 1887, tendo sido apenas, em 1912 mostrado ao Mundo pela mão do ortónimo.
Mais baixo que Caeiro, de um moreno mate, seco mas forte, com uma educação rígida num colégio jesuíta é o homem que exulta a monarquia, o classicismo e a disciplina.
Ao nível das suas características informais destacam-se várias, que numa compilação una e coesa, desenham o denso panorama anímico do médico.
O neopaganismo é um domínio que o caracteriza. Acreditando nos deuses da antiguidade grega e rejeitando o cristianismo (A crença nos deuses é uma fé de uma espécie inteiramente diferente da fé cristã), por este constituir um impasse à vivência real e objectiva, não deixa de ver no que o rodeia, o divino. Para Reis, deus não é uma essência, não é uma entidade individual e afectiva, é um ser múltiplo, uma metáfora do Mundo.
A crença e aceitação do Fado, o cumprimento plácido dos desejos do Homem, com base na autodisciplina, ditam em suma duas características facilmente confundíveis: o epicurismo e o estoicismo.
No epicurismo, bebendo do seu pai Epícuro, o poeta, persegue numa indiferença ataráxica os seus mais profundos desejos. Embora se verifique nesta perspectiva, uma ambição de viver por inteiro, Reis através dos ensinamentos estóicos/neoclassicos impõe a si mesmo a disciplina que o moderando, impede o seu sofrimento, o compromisso e a sua ligação a paixões e a coisas inúteis: Abdica / E serás rei de ti próprio.
A sua educação assume assim um papel autoritário nesta relação que, o "eu" íntimo estabelece com a vida e com o Mundo.
Temáticas como a efemeridade e brevidade da vida, a precariedade do Homem, a Natureza, a sua impotência enquanto médico, remetem de uma forma geral para a fragilidade do Homem, perante o destino, a força superior Desenlacemos as mãos, não vale a pena cansarmo-nos.
Numa perspectiva de superar todas as angústias, que progressivamente vão surgindo, o sujeito poético refugia-se nas odes clássicas e na falsa felicidade pagã partilhada com Horácio.
Quanto ao nível das características formais, que criam a estrutura de base ao raciocínio Real verificamos: uma escrita erudita (Reis escreve melhor que o próprio Pessoa), regular na rima e na métrica, rica ao nível da classe de palavras e figuras de estilo. É caracterizada ainda pela falta de dinamismo, existência de monólogos estáticos que, enfatizam o carácter contemplativo do eu poético perante a Vida.
Estão presentes elementos do latim e da antiguidade grega: "Lídia".
Por tudo isto e muito mais, Ricardo Reis é em suma apologista da procura e satisfação dos desejos do Homem, sendo esta desapegada, calma e sincera. É nesta aceitação tranquila do eu, do Mundo e da Natureza que se vislumbra, por momentos, a possibilidade de ser Feliz.
sábado, 20 de novembro de 2010
Julgar
Julgamentos entram-nos vírus. Espalhando-se pelo corpo consomem-nos, pouco a pouco, a alma Humana que tivemos um dia, no passado.
Amarrando-nos a nós próprios com estas correntes de aço, deixamos progressivamente de agir. Alienando-nos pelo vislumbrar do espectáculo, sem graça, que o Mundo oferece.
Há quem fique mais agressivo, outros mais tristes, outros para sempre fechados em si mesmos, outros ainda profundamente racionais... Qualquer coisa como isto... não importa. ficando só, sem Humanidade alguma. Porque o Homem natural é mediamente agressivo, mediamente contente, sociável e verdadeiramente, pouco racional.
Julgando julgando, com todos esses processos dentro de nós, começamos a ser um amontoado de acórdãos de casos infindáveis... somos um pedaço de coisa alguma ou coisa nenhuma... Como todos os casos jurídicos: extensos, tristes e sem solução.
Quem julga as pessoas não tem tempo para ama-las.
( Madre Teresa de Calcutá )
Amarrando-nos a nós próprios com estas correntes de aço, deixamos progressivamente de agir. Alienando-nos pelo vislumbrar do espectáculo, sem graça, que o Mundo oferece.
Há quem fique mais agressivo, outros mais tristes, outros para sempre fechados em si mesmos, outros ainda profundamente racionais... Qualquer coisa como isto... não importa. ficando só, sem Humanidade alguma. Porque o Homem natural é mediamente agressivo, mediamente contente, sociável e verdadeiramente, pouco racional.
Julgando julgando, com todos esses processos dentro de nós, começamos a ser um amontoado de acórdãos de casos infindáveis... somos um pedaço de coisa alguma ou coisa nenhuma... Como todos os casos jurídicos: extensos, tristes e sem solução.
Quem julga as pessoas não tem tempo para ama-las.
( Madre Teresa de Calcutá )
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Sangue
Era como abrir um pouco de mim.
Pelo respirar seco daquelas páginas virtuais,
Caiu-me por terra uma esperança há muito plantada...
Ele tinha escrito...
Estudos psicológicos indicam que paixões muito intensas duram entre 2 a 3 anos (...)
Era saber do que se tratava, sem o querer viver.
Recordava, para não querer:
Isto.
A angústia foi tão grande,
Que senti.
Deslizando, pelas entranhas...
Uma lágrima de sangue fruiu por mim
Pelo respirar seco daquelas páginas virtuais,
Caiu-me por terra uma esperança há muito plantada...
Ele tinha escrito...
Estudos psicológicos indicam que paixões muito intensas duram entre 2 a 3 anos (...)
Era saber do que se tratava, sem o querer viver.
Recordava, para não querer:
Isto.
A angústia foi tão grande,
Que senti.
Deslizando, pelas entranhas...
Uma lágrima de sangue fruiu por mim
domingo, 7 de novembro de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)













































