Frase do Dia

  • "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Raízes

Há em mim um bloqueio na demanda para o infinito que em tempos conheci.

Os andares pela Vida comum, as relações sólidas, os compromissos, criaram raízes que fizeram dos meus tornozelos o seu alimento.
Raízes da terra, das folhas e da alma deste Mundo que tanto ou tão pouco consegue trazer consigo.

Há nesta prisão, a sensação leve da plenitude, da liberdade e do preenchimento do tempo.
Há o sentimento de poder sob o que não é possuído.
Há a confiança de que se encontra naquilo que queremos, um reflexo de nós, por ser o que mais procuramos.
Há uma respiração e um bater de coração.

Há tudo isto, nos dias sucessivos que vivo amarrada a vós e tão longe de mim.

Quando chega a noite, as luzes da vossa vida apagam-se, as almas recolhem-se às suas casas e nesta terra fico eu.
Só, com as minhas raízes.

Nas noites em que a sorte me bate à porta e uma forte penumbra recai sobre a vida, avisto no horizonte a tua Luz, que nunca se apaga como as dos Outros.
Essa Luz, que é tanto uma ilusão no nevoeiro quanto no meu dia a dia.

Nessas noites sou frágil.
Porque a tua Luz me toca.
Nessas noites choro e repudio-vos a todos.
Sim, vocês que me prenderam para sempre à terra,
Vocês que me impediram para sempre de me perder na noite
À procura de ti.
 

És tu quem verdadeiramente me quer

Porque me ardes no peito em cada suspiro de alívio.
Porque te perdes nos pensamentos que tinha fechado a mim mesma.

És tu quem verdadeiramente me quer,
Porque verdadeiramente me conheces.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Deixar

Deixei de escrever.

Deixei de escrever, porque tudo se tornava ou tornou real.

E não existe nada e existe tudo, quando a realidade se mistura com o que quer que seja.

sábado, 30 de junho de 2012

Às vezes tenho vontade de dizer: há realmente muitos filhos da puta. E os piores são aqueles que não estamos à espera. Hoje é uma dessas vezes

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mediocridade

Nunca julguei poder dizer isto, Mas às vezes é preciso experimentar a mediocridade para sabermos o que realmente significa nunca poder ser verdadeiramente feliz. Como acontece com todas as experiências menos boas na nossa vida, a inteligência está em não voltar a provocá-las.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pela primeira vez parece custar partir em busca de uma qualquer aventura que está prometida.

Estranho será, dar conta de que não existe algo que verdadeiramente me prenda aqui.
Algo que valha a pena.
Algo que me sugue tudo e outras tantas coisas de que sou feita.
Algo que mereça a minha presença em detrimento da viagem.

Isto desconsola-me. Esta solidão que existe, quando a possibilidade de não valer a pena se agiganta.

Assemelho-me a uma qualquer espécie que não pertence a nenhum habitat, não se encontrando igualmente apta para viver do nomadismo.

Que sentido este de não pertencer a parte nenhuma.
Que fraqueza esta da incredulidade constante no que é eternamente bom.
Que cobardia esta da incapacidade de ficar perto de ti nas jornadas que prometi.

Que é isto da ausência de caminho?

Que é isto da exorbitância de sonhos, de desejos, de pensamentos futuristas?

Que é tudo isto se não valer a pena?

Já diria Pessoa nos seus gritos de angústia ou num falso patriotismo " Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Que génio que era...
Mas desafiava-o, se o tivesse conhecido:
Pedia para o ouvir em palavras cruas, com som, num timbre fraco ou destemido, não importa... Mas não...Não lhe queria os poemas, não nesta linguagem facilmente adulterada e estranhamente engenhosa, a linguagem da escrita

Que fácil que é perdermo-nos aqui e levarmos a dimensão que construímos depois, debaixo do braço.

Depois de escrito isto, riu-me de mim. Que julgo ou julgava (não sei) não ser Humano de me lançar a um Desconhecido que não prometa mais do que o que já se Conhece.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Âncorar



Descer à terra sem âncoras prováveis para falar do que nos dias vemos:
Falamos nós da realidade, do que é, do que aconteceu, das verdades...
Falamos a atrocidar os termos e, aproveitamos a possivel falsifade dos mesmos, para nos escondermos.
Daria jeito se a essa realidade e a todos esses entulhos fôssemos Pertencidos:
Nesse caso ou não a precisávamos de tomar ou não a precisávamos de manter.
Mas aí reina o problema.
A triste dificuldade de nos comprometermos para "tomarmos" e a triste desgraça de termos de cativar para "manter".
Por considerarmos a nossa vivência mais vasta que a nossa velhice, continuamos.
Continuamos a cair na dificuldade e na desgraça.
Continuamos acreditar que as histórias das âncoras pesadas e das âncoras firmes têm o mesmo final...

Como a ingenuidade é grande e a teimosia ainda maior...

Mas surgirá o dia em que da brincadeira da invenção da vida surgirá aquilo que esperamos do final da emoção...
A certeza de que algo pode durar para sempre...

 "Certaines choses durer Éternellement"

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Máscara

Pudesse o tempo trazer máscaras
Que te não iria reconhecer
Nos momentos em que a tua existência cruza a minha.

E o tempo pode.
Bem sabes,
O tempo pode coisas que eu não posso.


As máscaras,
que com o tempo vêem,
trazem o vento,
que contraria os motores engrenados em sentido oposto.

E os motores somos nós,
São o nosso esforço,
A nossa vida,
que pouca água levanta.

A cada vez que trazes a tua máscara,
Há um instante
que só em nós acontece.
Há uma perda de respiração,
de equilíbrio,
de consciência.
Há uma distância que não se explica.

Pudesse eu não trazer o tempo,
Pudesse eu parar o Mundo que carregas,
Pudesse eu levar-te onde quero...

E não trazias essa tua máscara
que de tanto tempo, a ti se foi moldando.

Hoje,
por favor,
não a tragas contigo.

É só a ti que eu quero.
Como na primeira vez que te vi.

domingo, 8 de abril de 2012

O sonho


Fecho os olhos e, o sonho que mais desejo, chega a mim sem esforço.
És tu, num passado em que não existias, ou já existias sem eu saber.
É estranho descrever esse ser que aparece no teu lugar:
Tão profundamente parecido, tão profundamente ligado ao meu dia...
Podias ser tu e não és.
Não é o teu corpo, não é a tua voz, não é o teu sorriso,
Mas só podes ser tu...
Eu sei o que os sonhos escondem.

Se te pudesse dar metade dessa visão,
Dessa vida que só acontece no sonho...
Saberias que não há nada melhor que esse sonho.
Que não se repetindo na sua história,
Repete-se na essência,
E na personagem que te representa.

Ai...Se eu pudesse voltar ao passado
Procurava por ti, antes de te encontrar aqui, assim.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Todos nós temos a nossa palhota

Todos nós temos a nossa palhota.

Esse abrigo onde nos escondemos dos nossos maiores medos.
A casinha feita do nosso esforço,
O lar com a capacidade de nos tornar génios!
Ah sim!De dentro daquelas paredes vai de certo surgir uma grande obra!
Assim cremos.

A palhota é o primeiro lugar que surge quando pensamos no Amor.
Aquele chão de madeira encerada,
A lareira aberta,
A janela gigante com vista de Mar.
As escadas apertadas para o sotão,
A cozinha de pedra antiga,
A sala forrada de livros e bons filmes.

A palhota também guarda os nossos Amigos das tempestades.
Passamos jornadas,
Horas a fio com uma boa bebida e uma boa conversa.
Às vezes, na palhota, vamos a outros países e à Lua,
Jogamos jogos que não existem
E contamos os nossos maiores segredos.

A palhota fica longe da casa onde vivemos.
Uma viagem longa leva-nos à montanha que dá para o Mar
E aí chegamos.

Na maioria das vezes a palhota está sozinha.
Tem visitas esporádicas mas penetrantes.
A palhota acolhe como se sempre esperasse a nossa vinda.
Mantém-se fresca, mas conserva uma velhice
Que a torna misteriosa e atenta.

Na palhota tudo acontece e ninguém sabe.

Todos, mesmo os sem casa, têm a sua palhota.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A tua alma está velha no teu corpo.
As tuas veias assombram-me nos teus pulsos débeis.
O teu cansaço na vida é maior que as viagens que não fizeste.
O teu olhar de soldado de grandes guerras deixa o Mundo frágil.
As tuas pernas, cansadas de correr pelos outros, resistem menos.
O teu sorriso é seco, porque a vida te tirou todas as respostas.

E tudo eu podia dizer sem nada fazer.
Tu aí.
Eu aqui.
Com uma vontade enorme de poder dar a toda a hora um abraço.
Com um grito gigante de desespero.
Com uma imensa tentação de dar ao que Reina o que quer, sem te dar a ti:

Porque fazes demasiada falta.

Nas Noites

Nas Noites em que não acontecemos, o Mundo é cego.
Nas Noites em que descobrimos as estradas de regresso a nós, a Vida não existe.
Nas Noites em que fugimos da cidade para o mar, o dia de amanhã não vem.
Nas noites do antigamente, que a estas Noites não pertencem, expirávamos o mesmo ar da Terra, o mesmo vento da montanha, os mesmos povos...tudo era tão igual nessas noites que Noites não eram.
E ainda assim sabíamos, nas noites do antigamente, que algo de maior estava para vir.
Eram estas, as Noites que me faltavam

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Running

Aquele momento em que faltam 200 metros para chegar ao objectivo e sentes que não vais aguentar...mudas a música no modo aleatório do ipod e começa a tocar "forever young". De repente...ganhas asas!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gostava

Gostava de te poder falar a cada instante sobre o que me vai na alma, sem que existisse uma verdadeira invasão.
Gostava de te ter mais vezes por perto, mesmo que, por vezes, na proximidade a distância se crie.
Gostava de saber mais de ti e da tua vida, sem uma pergunta eminente.
Gostava de tanta coisa e, no entanto, preenche-me tanto, tão somente o que tenho e trago de ti.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhos abertos

As vozes sussuram-te;
"Está atento!"
"Não te deixes dormir!"
Fazes o esforço, mantens os olhos bem abertos.
Passas noites em branco e nada te faz largar a missão.
Atento, de olhos postos no Mundo...em tudo e em todos.

Meu bom homem é bom estar atento, faz parte do bom caminho...mas lembra-te, muitos dos que morreram, estavam e ficaram de olhos abertos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O início

É como ter nascido de novo.
Não ter medo das ruas e estradas difíceis até ao teu abrigo.
Não ter medo da noite, pelo contrário, levar as mãos ao vento a música à boca.

Que tarde...que noite.
Simples, mas vividas.
Limitada pelas vidas ocupadas.
Mas é por isso que somos nós, é por isso que vale a pena.
No regresso a casa, numa viagem longa, que só custa pela distância que entre nós se cria,
Surgem sempre as mesmas palavras:
Inesperado, Tempo, Inacreditável.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Vila D'Arcos

Um excerto de um livro de Sophia de Mello Breyner que me disse muito quando era criança e que, ainda me diz...

(...)Há jardins imprevistos, mais subtis e complexos do que o imaginável, onde crescem altas magnólias, com grandes flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas e onde a água de prata que irrompe das boca dos golfinhos de pedra cai nos pequenos tanques oitavados. Jardins de buxo, camélias, e violetas perfumados de contemplação e paixão, de esquecimento e silêncio. Jardins docemente abandonados a uma solidão dançada pelas brisas, enquanto um longo sussurro de adeus acena de folha em folha nos ramos mais altos das árvores. Jardins onde reconhecemos que a vida é um sonho do qual jamais acordamos, um sonho onde irrompem aparições prodigiosas como o lírio, a águia, e o inesquecível rosto amada com paixão, mas onde tudo se transformar em esquecimento, distância, impossibilidade e detrito. Jardins onde reconhecemos que a nossa condição é não saber. É não poder jamais encontrar a unidades. E encontrar a unidade seria acordar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Post-it

Hoje...

A porta que utilizas todos os dias deverá ter um post-it com


"Hoje encontraste a felicidade? Se não, sai por esta porta e vai à procura dela!"

domingo, 8 de janeiro de 2012

Naquela Manhã

Manhã.
Os raios de sol, por entre as folhas de palmeira, despertaram-te de um sono sem sonho. Movido pela melodia do mar, saíste pelas escadas sem corrimão da cabana que havíamos construído na praia.
O cheiro das flores selvagens, a brisa breve de uma manhã calma.

Chamaste por mim.
E o ar que te envolvia não te trouxe respostas.
Olhaste para diante e viste na areia junto ao mar as pegadas de rasto perdido. Era o mistério de quem ali já não vivia.
Aquela era a manhã em que eu tinha partido.

Nas vezes em que projectei uma embarcação naquela baía, não acreditaste nos meus projectos.
Nas vezes em que te disse que o fogo chamava as almas, e as estrelas as amizades, julgaste as minhas filosofias.
Nas vezes em que te disse que estava fraca, não acreditaste, porque todas as manhãs o sorriso que exigias estava lá.

E agora és tu, na solidão do que é e sempre será nosso.

Sentirás à mesma a brisa, o rebentar das ondas, os raios de sol, o quente do fogo.
Sentirás, mas nunca da mesma forma.

E, quando deixares a ilha que amaste
Há quem te vá dizer que fugi ou que morri.
Mas...
Tu sabes.

Eu voei.