Oiço-me dormir.
Tão profundamente, respirando.
Habitualmente
Pelo sono tardio.
Caminhando pelos corredores infinitos,
Desta casa, vazia,
Tão cheia de si.
Correndo o risco de fazer o chão ranger,
Faço por me notar,
O que é inútil.
Tudo está surdamente silencioso.
As figuras dos pergaminhos,
Aproveitam para fazer os rituais.
Os olhos dos quadros reviram de cansaço
As cartas que escrevi,vão apagando as suas letras,
Uma a uma.
Por esta noite dentro,
Tudo se revolta num silêncio profundo.
Continuamos a dormir.
A roupa que não arrumámos,
Espraia-se mais pelo chão.
As televisões chovem,
Um papel cai em cima da tinta do dia anterior.
As madeiras chiam, dando por pretexto
O frio do Outono que já chega.
Tudo está surdamente silencioso.
Silêncio.
Mas nessa mudez,
Viro-me na cama.
Abrindo os olhos sem notar,
Vejo as horas:
3:07 da manhã.
Apago as minhas luzes.
Nada do que está importa ou importou,
Só o amanhã nos faz falta.
O relógio da sala,
Decide bater,
Por já ser hora de um novo dia.
O hoje já é amanhã.
Agora, pelo rebuliço,
Acordo com um trabalho manchado,
Uma roupa escolhida.
Mas não importa.
O que me não pertencia.
Agora já é meu.
Era só o amanhã que eu queria.
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