Frase do Dia

  • "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Não é o medo de te perder,
Nem a tristeza de ficar só.
É a possibilidade de desgosto,
Por descrença na essência Humana.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Abrir os olhos



Abrir os olhos ao acordar.
Um movimento simples,
Único,
Involuntário.

Somos chamados à vida nesse instante,
Por uma qualquer essência,
Uma qualquer força,
Que nos quer deixar a novidade no olhar.

Não sou nada,
Nesse instante antes de abrir os olhos.
Mas tão somente uma alma adormecida
Incapaz de prever o que me querem dar a conhecer.

Hoje, quando abertos,
És Tu.
És Tu quem se deita ao meu lado,
Diante dos meus olhos ainda trémulos.

A essência trouxe-te.

E depois de tanto tempo,
Sem acreditar no Amor,
Eu entendi que agora tenho,
O sentido e a vontade de sorrir...

De olhos abertos.

sábado, 30 de novembro de 2013

Um excerto do Livro (sem título)

Deu um bafo profundo no cigarro e olhando a noite soltou a pergunta que seria a primeira do fim da sua vida:
   - Se te disser que nunca fui apaixonado pela vida, acreditas?
   - Não. – Respondeu ela muito séria e de olhar fixo nos olhos dele.
   - Porque não?
   - Que disparate, tu és dos tipos mais apaixonado pela vida que eu conheci até hoje... Adoras perder-te com ela, os teus olhos brilham quando ela te surpreende, o que é que é esta divagação agora?
Olhando-a com uma face dura disse:
   -Nunca poderei ser apaixonado por algo em que não acredito. Eu não acredito na vida, na sua essência. Eu não acredito que isto a que chamamos existência tenha um propósito ou uma finalidade. O Ser Humano limita-se a inventar, a perder-se, a procurar o que nunca vai encontrar – Parou por instantes e soltando o sorriso de quem conhece o poder da sua argumentação continuou – Olha a história de Deus e do Diabo, do Céu e do Inferno... tudo isso são invenções, são criações de um Ser que não suporta a ideia da solidão e a ideia da ausência de destino. Criamos, porque não suportamos a dor de não ter algo verdadeiro a que nos agarrar.
   -Ai é? – disse incrédula e com pouca paciência- E o amor? O amor também é uma invenção da ausência de tudo?
   -Médio, o amor é o chamado filho pródigo de uma família monoparental. É quase um erro de percurso percebes?
Fez que não com a cabeça e ele continuou:
   -O amor é o resultado de uma qualquer busca interior que advém da tristeza da vida não nos ser suficiente. De quando a quando, abrimos as janelas do que chamamos coração e ficamos muito tempo à espera na confusão dos temporais e dos dias solarengos. Um dia passa alguém, passa o chamado pretexto e zumbas – fazendo um gesto de quem apanha uma mosca no ar - apanhamo-lo!
Assumindo novamente a sua posição na cadeira continuou:
   -E depois é fácil, a mente fica responsável por tudo o resto. A pouco e pouco, embora o Outro com quem estamos assuma o papel de ama do nosso amor, vamos criando dedicadamente o nosso filho, nascido da corrente de ar da janela, num modelo rígido, obcecado e ao mesmo tempo desejoso de sofrer.
   -Hum... mas espera, então estás a dizer que o pretexto para o amor pode ser qualquer coisa da vida? A mesma que não existe?




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cruzar



No fim de uma tarde de trabalho,
Com o Sol de Lisboa e o cheiro a castanhas de Outono
Vejo-te do outro lado de uma rua que é minha todos os dias.

A vida é assim.
Encarrega-se de se fazerem cruzar por nós,
Aqueles com quem nos devemos voltar a cruzar.

O valor que damos a esse reencontro,
O que fazemos com o que vemos e sentimos,
Já está por nossa conta.

E a cada vez que ignoramos o reencontro,
A cada vez que desejamos que ele aconteça noutro lugar,
Noutro momento,
A vida tira-nos, a pouco e pouco,
As chances de nos voltarmos a cruzar.

Pouco a pouco,
Dia a dia,
Até que a memória se canse
Ou a saudade se mate. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013


Saudades,

Saudades de ter tempo.
Saudades da minha solidão,
Da minha partilha,
Da minha devoção.

Saudades do meu canto,
Naquela cidade chamada Barcelona.

Fui feliz.

E não esqueço,
A calma,
A alegria,
A pausa que tive de mim
E desta vida vivida desde há 20 anos.

Saudades,
Profundas saudades.


Aqui


Em dias como este, vejo-me a não pertencer mais aqui.
A distância, o longe, a viagem, ensinam-nos que não somos de lugar nenhum,
Mas tão somente escravos das pessoas ou da nossa própria solidão.

A beleza, o ar que respiramos, o tecto de estrelas que nos abriga nas noites frias
São arquétipos de um qualquer deslumbramento que advém da forçosa necessidade de querermos ser felizes.

Não há nada nos lugares.
Não há nada no que vemos,
Para além do que temos,
Do que somos,
Do que esperamos.

Por isso, tenho as minhas dúvidas 
Quando digo que me vejo a não pertencer mais aqui.

Terei deixado eu de ter,
de Te ter?
Terei deixado eu de ser?
Terá a esperança acabado?




quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Lugar-comum


É um lugar-comum dizer-se que a realidade se intromete no amor, interrompendo-o, quebrando momentos de felicidade que desejaríamos prolongar até ao infinito. É um lugar-comum, mas não deixa de ser verdade.

Domingos Amaral

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sei que não podes acreditar


Se te dissessem que o meu coração é tão puro quanto aquilo que te digo, saberia que não irias acreditar.
O que os teus olhos veem é aquilo que não querem ver, é o que te dizem, é o que tu sentes.
E eu não te posso julgar, nem te posso provar aquilo que não vês, aquilo que não sentes, aquilo que não ouves.

A única esperança que me resta, que é tão forte quanto a crença no nosso futuro, é de que no fundo de ti haja um palpite, um “what if”, uma luz que te permita acreditar nas palavras e nos olhares que te deixo.


Nunca os meus olhos serão tão sinceros como quando proferida a palavra amo-te diante dos teus.

sábado, 14 de setembro de 2013

Hummm

Espectacular! Simplesmente de Miguel Esteves Cardoso

http://o-povo.blogspot.pt/2013/09/o-hmmm-da-questao.html

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O amor que cresce nas árvores

“Hoje, preciso de ti. Depois de nós, nesse tempo, houve uma verdade que ficou parada nos meus olhos: alguém de quem gostamos muito, o amor, ficará nas árvores, continuará a crescer, como uma criança, dentro dos troncos e dos ramos mais finos das árvores.” 
José Luís Peixoto

O Lago


De mãos dadas e costas voltadas chegámos por fim ao Lago da nossa Loucura.
O Lago que avistávamos, de tão negro e redundante, absorvia-nos toda a energia nas primeiras expirações.
Ficámos tristes, vazios, eternos na nossa pequenez.
O teu olhar tão assustado como o meu coração, perdia-se na escuridão daquele sítio. A escuridão que era a nossa. A escuridão que só nós criámos, porque nunca aceitámos ser felizes.

Gostava de me lembrar dos tempos em que tu e eu queríamos o mar, o mar da nossa felicidade, da nossa ousadia, da nossa promessa.

Tenho saudades dos tempos em que não éramos consumíveis pelo tempo ou pelos Lagos ou por nós próprios.

Dá-me a mão do regresso.
Há volta a dar?
Ou já saltaste para o Lago onde vamos morrer?


Tu levaste-te


Se me perguntarem se morri quando te perdi, não lhes saberei responder.
Saberei apenas que a ausência que em mim surgiu, de tão real, tornou-se enraizada, latente, sedenta.
Com a força dessa tua demanda para o Longe, relembro-me que há muito que não sei sentir nada senão a tua perda.
E desespero nesses dias intermináveis em que relembro, porque me seco da sede de te não beber.

No Longe estás tu.
E lá tiveste, tens e terás a ousadia, a dureza ou o desprezo de levar tudo contigo.

Tu levaste o teu sorriso, a tua pele encostada à minha.
Tu levaste o teu discurso sem sentido, o teu entusiasmo.
Tu levaste tudo contigo.

Deixaste-te a ti e ao teu mundo numa mala fechada que espera por "só mais uma volta" que desta não tem regresso.

E eu queria...
Eu queria que tu te levasses e não te levasses.
Queria pegar na tua mala e voar para outro longe, deixando-te comigo ou com a Felicidade das ilhas desertas.

E eu...
Que nos momentos de perda (que nem na escrita me consigo livrar) vivo a esperança, na esperança os dias e as noites alucinantes, nas alucinações a infeliz descoberta do querer dar mais do que aquilo que posso.

E então eu queria, quero e não posso.

Eu queria-te fazer renascer, falar-te dos tempos que sonho existir.
Eu queria falar-te de mim, mostrar-te o meu coração podre, os meus braços fracos.
Eu queria abraçar-te pela última vez como na primeira: com o arrepio, com o beijo algemado, com todas as promessas que só os nossos corpos e almas unidos podem prometer.

Eu queria-te, quero-te e não te posso.
Porque tu te levaste, porque eu quis e não quis, porque me perdi ao querer-te encontrar.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Nunca foi fácil

Nunca foi fácil chegar a ti.

Mas tu sabes...
Tu sabes que esse teu mistério
Esse teu segredo
Essa tua luz, que trazes guardada numa mão fechada
Esse teu olhar inconfundível
Arrastam-me contigo.

Não construas mais muralhas
Não te guardes mais
Não fujas de mim.

Muitas vezes,
Quando te vejo a trabalhar nesse muro de pedra,
Sinto uma profunda solidão
Um profundo silêncio.
E há uma certeza,
Que pode durar momentos,
Mas que existe.

Há a certeza de que no momento em que os muros cessarem entre nós
Te vais esquecer de mim.
Como eu nunca me esquecerei de ti.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Raízes

Há em mim um bloqueio na demanda para o infinito que em tempos conheci.

Os andares pela Vida comum, as relações sólidas, os compromissos, criaram raízes que fizeram dos meus tornozelos o seu alimento.
Raízes da terra, das folhas e da alma deste Mundo que tanto ou tão pouco consegue trazer consigo.

Há nesta prisão, a sensação leve da plenitude, da liberdade e do preenchimento do tempo.
Há o sentimento de poder sob o que não é possuído.
Há a confiança de que se encontra naquilo que queremos, um reflexo de nós, por ser o que mais procuramos.
Há uma respiração e um bater de coração.

Há tudo isto, nos dias sucessivos que vivo amarrada a vós e tão longe de mim.

Quando chega a noite, as luzes da vossa vida apagam-se, as almas recolhem-se às suas casas e nesta terra fico eu.
Só, com as minhas raízes.

Nas noites em que a sorte me bate à porta e uma forte penumbra recai sobre a vida, avisto no horizonte a tua Luz, que nunca se apaga como as dos Outros.
Essa Luz, que é tanto uma ilusão no nevoeiro quanto no meu dia a dia.

Nessas noites sou frágil.
Porque a tua Luz me toca.
Nessas noites choro e repudio-vos a todos.
Sim, vocês que me prenderam para sempre à terra,
Vocês que me impediram para sempre de me perder na noite
À procura de ti.
 

És tu quem verdadeiramente me quer

Porque me ardes no peito em cada suspiro de alívio.
Porque te perdes nos pensamentos que tinha fechado a mim mesma.

És tu quem verdadeiramente me quer,
Porque verdadeiramente me conheces.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Deixar

Deixei de escrever.

Deixei de escrever, porque tudo se tornava ou tornou real.

E não existe nada e existe tudo, quando a realidade se mistura com o que quer que seja.

sábado, 30 de junho de 2012

Às vezes tenho vontade de dizer: há realmente muitos filhos da puta. E os piores são aqueles que não estamos à espera. Hoje é uma dessas vezes

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mediocridade

Nunca julguei poder dizer isto, Mas às vezes é preciso experimentar a mediocridade para sabermos o que realmente significa nunca poder ser verdadeiramente feliz. Como acontece com todas as experiências menos boas na nossa vida, a inteligência está em não voltar a provocá-las.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pela primeira vez parece custar partir em busca de uma qualquer aventura que está prometida.

Estranho será, dar conta de que não existe algo que verdadeiramente me prenda aqui.
Algo que valha a pena.
Algo que me sugue tudo e outras tantas coisas de que sou feita.
Algo que mereça a minha presença em detrimento da viagem.

Isto desconsola-me. Esta solidão que existe, quando a possibilidade de não valer a pena se agiganta.

Assemelho-me a uma qualquer espécie que não pertence a nenhum habitat, não se encontrando igualmente apta para viver do nomadismo.

Que sentido este de não pertencer a parte nenhuma.
Que fraqueza esta da incredulidade constante no que é eternamente bom.
Que cobardia esta da incapacidade de ficar perto de ti nas jornadas que prometi.

Que é isto da ausência de caminho?

Que é isto da exorbitância de sonhos, de desejos, de pensamentos futuristas?

Que é tudo isto se não valer a pena?

Já diria Pessoa nos seus gritos de angústia ou num falso patriotismo " Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Que génio que era...
Mas desafiava-o, se o tivesse conhecido:
Pedia para o ouvir em palavras cruas, com som, num timbre fraco ou destemido, não importa... Mas não...Não lhe queria os poemas, não nesta linguagem facilmente adulterada e estranhamente engenhosa, a linguagem da escrita

Que fácil que é perdermo-nos aqui e levarmos a dimensão que construímos depois, debaixo do braço.

Depois de escrito isto, riu-me de mim. Que julgo ou julgava (não sei) não ser Humano de me lançar a um Desconhecido que não prometa mais do que o que já se Conhece.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Âncorar



Descer à terra sem âncoras prováveis para falar do que nos dias vemos:
Falamos nós da realidade, do que é, do que aconteceu, das verdades...
Falamos a atrocidar os termos e, aproveitamos a possivel falsifade dos mesmos, para nos escondermos.
Daria jeito se a essa realidade e a todos esses entulhos fôssemos Pertencidos:
Nesse caso ou não a precisávamos de tomar ou não a precisávamos de manter.
Mas aí reina o problema.
A triste dificuldade de nos comprometermos para "tomarmos" e a triste desgraça de termos de cativar para "manter".
Por considerarmos a nossa vivência mais vasta que a nossa velhice, continuamos.
Continuamos a cair na dificuldade e na desgraça.
Continuamos acreditar que as histórias das âncoras pesadas e das âncoras firmes têm o mesmo final...

Como a ingenuidade é grande e a teimosia ainda maior...

Mas surgirá o dia em que da brincadeira da invenção da vida surgirá aquilo que esperamos do final da emoção...
A certeza de que algo pode durar para sempre...

 "Certaines choses durer Éternellement"

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Máscara

Pudesse o tempo trazer máscaras
Que te não iria reconhecer
Nos momentos em que a tua existência cruza a minha.

E o tempo pode.
Bem sabes,
O tempo pode coisas que eu não posso.


As máscaras,
que com o tempo vêem,
trazem o vento,
que contraria os motores engrenados em sentido oposto.

E os motores somos nós,
São o nosso esforço,
A nossa vida,
que pouca água levanta.

A cada vez que trazes a tua máscara,
Há um instante
que só em nós acontece.
Há uma perda de respiração,
de equilíbrio,
de consciência.
Há uma distância que não se explica.

Pudesse eu não trazer o tempo,
Pudesse eu parar o Mundo que carregas,
Pudesse eu levar-te onde quero...

E não trazias essa tua máscara
que de tanto tempo, a ti se foi moldando.

Hoje,
por favor,
não a tragas contigo.

É só a ti que eu quero.
Como na primeira vez que te vi.

domingo, 8 de abril de 2012

O sonho


Fecho os olhos e, o sonho que mais desejo, chega a mim sem esforço.
És tu, num passado em que não existias, ou já existias sem eu saber.
É estranho descrever esse ser que aparece no teu lugar:
Tão profundamente parecido, tão profundamente ligado ao meu dia...
Podias ser tu e não és.
Não é o teu corpo, não é a tua voz, não é o teu sorriso,
Mas só podes ser tu...
Eu sei o que os sonhos escondem.

Se te pudesse dar metade dessa visão,
Dessa vida que só acontece no sonho...
Saberias que não há nada melhor que esse sonho.
Que não se repetindo na sua história,
Repete-se na essência,
E na personagem que te representa.

Ai...Se eu pudesse voltar ao passado
Procurava por ti, antes de te encontrar aqui, assim.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Todos nós temos a nossa palhota

Todos nós temos a nossa palhota.

Esse abrigo onde nos escondemos dos nossos maiores medos.
A casinha feita do nosso esforço,
O lar com a capacidade de nos tornar génios!
Ah sim!De dentro daquelas paredes vai de certo surgir uma grande obra!
Assim cremos.

A palhota é o primeiro lugar que surge quando pensamos no Amor.
Aquele chão de madeira encerada,
A lareira aberta,
A janela gigante com vista de Mar.
As escadas apertadas para o sotão,
A cozinha de pedra antiga,
A sala forrada de livros e bons filmes.

A palhota também guarda os nossos Amigos das tempestades.
Passamos jornadas,
Horas a fio com uma boa bebida e uma boa conversa.
Às vezes, na palhota, vamos a outros países e à Lua,
Jogamos jogos que não existem
E contamos os nossos maiores segredos.

A palhota fica longe da casa onde vivemos.
Uma viagem longa leva-nos à montanha que dá para o Mar
E aí chegamos.

Na maioria das vezes a palhota está sozinha.
Tem visitas esporádicas mas penetrantes.
A palhota acolhe como se sempre esperasse a nossa vinda.
Mantém-se fresca, mas conserva uma velhice
Que a torna misteriosa e atenta.

Na palhota tudo acontece e ninguém sabe.

Todos, mesmo os sem casa, têm a sua palhota.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A tua alma está velha no teu corpo.
As tuas veias assombram-me nos teus pulsos débeis.
O teu cansaço na vida é maior que as viagens que não fizeste.
O teu olhar de soldado de grandes guerras deixa o Mundo frágil.
As tuas pernas, cansadas de correr pelos outros, resistem menos.
O teu sorriso é seco, porque a vida te tirou todas as respostas.

E tudo eu podia dizer sem nada fazer.
Tu aí.
Eu aqui.
Com uma vontade enorme de poder dar a toda a hora um abraço.
Com um grito gigante de desespero.
Com uma imensa tentação de dar ao que Reina o que quer, sem te dar a ti:

Porque fazes demasiada falta.

Nas Noites

Nas Noites em que não acontecemos, o Mundo é cego.
Nas Noites em que descobrimos as estradas de regresso a nós, a Vida não existe.
Nas Noites em que fugimos da cidade para o mar, o dia de amanhã não vem.
Nas noites do antigamente, que a estas Noites não pertencem, expirávamos o mesmo ar da Terra, o mesmo vento da montanha, os mesmos povos...tudo era tão igual nessas noites que Noites não eram.
E ainda assim sabíamos, nas noites do antigamente, que algo de maior estava para vir.
Eram estas, as Noites que me faltavam

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Running

Aquele momento em que faltam 200 metros para chegar ao objectivo e sentes que não vais aguentar...mudas a música no modo aleatório do ipod e começa a tocar "forever young". De repente...ganhas asas!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gostava

Gostava de te poder falar a cada instante sobre o que me vai na alma, sem que existisse uma verdadeira invasão.
Gostava de te ter mais vezes por perto, mesmo que, por vezes, na proximidade a distância se crie.
Gostava de saber mais de ti e da tua vida, sem uma pergunta eminente.
Gostava de tanta coisa e, no entanto, preenche-me tanto, tão somente o que tenho e trago de ti.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhos abertos

As vozes sussuram-te;
"Está atento!"
"Não te deixes dormir!"
Fazes o esforço, mantens os olhos bem abertos.
Passas noites em branco e nada te faz largar a missão.
Atento, de olhos postos no Mundo...em tudo e em todos.

Meu bom homem é bom estar atento, faz parte do bom caminho...mas lembra-te, muitos dos que morreram, estavam e ficaram de olhos abertos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O início

É como ter nascido de novo.
Não ter medo das ruas e estradas difíceis até ao teu abrigo.
Não ter medo da noite, pelo contrário, levar as mãos ao vento a música à boca.

Que tarde...que noite.
Simples, mas vividas.
Limitada pelas vidas ocupadas.
Mas é por isso que somos nós, é por isso que vale a pena.
No regresso a casa, numa viagem longa, que só custa pela distância que entre nós se cria,
Surgem sempre as mesmas palavras:
Inesperado, Tempo, Inacreditável.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Vila D'Arcos

Um excerto de um livro de Sophia de Mello Breyner que me disse muito quando era criança e que, ainda me diz...

(...)Há jardins imprevistos, mais subtis e complexos do que o imaginável, onde crescem altas magnólias, com grandes flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas e onde a água de prata que irrompe das boca dos golfinhos de pedra cai nos pequenos tanques oitavados. Jardins de buxo, camélias, e violetas perfumados de contemplação e paixão, de esquecimento e silêncio. Jardins docemente abandonados a uma solidão dançada pelas brisas, enquanto um longo sussurro de adeus acena de folha em folha nos ramos mais altos das árvores. Jardins onde reconhecemos que a vida é um sonho do qual jamais acordamos, um sonho onde irrompem aparições prodigiosas como o lírio, a águia, e o inesquecível rosto amada com paixão, mas onde tudo se transformar em esquecimento, distância, impossibilidade e detrito. Jardins onde reconhecemos que a nossa condição é não saber. É não poder jamais encontrar a unidades. E encontrar a unidade seria acordar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Post-it

Hoje...

A porta que utilizas todos os dias deverá ter um post-it com


"Hoje encontraste a felicidade? Se não, sai por esta porta e vai à procura dela!"

domingo, 8 de janeiro de 2012

Naquela Manhã

Manhã.
Os raios de sol, por entre as folhas de palmeira, despertaram-te de um sono sem sonho. Movido pela melodia do mar, saíste pelas escadas sem corrimão da cabana que havíamos construído na praia.
O cheiro das flores selvagens, a brisa breve de uma manhã calma.

Chamaste por mim.
E o ar que te envolvia não te trouxe respostas.
Olhaste para diante e viste na areia junto ao mar as pegadas de rasto perdido. Era o mistério de quem ali já não vivia.
Aquela era a manhã em que eu tinha partido.

Nas vezes em que projectei uma embarcação naquela baía, não acreditaste nos meus projectos.
Nas vezes em que te disse que o fogo chamava as almas, e as estrelas as amizades, julgaste as minhas filosofias.
Nas vezes em que te disse que estava fraca, não acreditaste, porque todas as manhãs o sorriso que exigias estava lá.

E agora és tu, na solidão do que é e sempre será nosso.

Sentirás à mesma a brisa, o rebentar das ondas, os raios de sol, o quente do fogo.
Sentirás, mas nunca da mesma forma.

E, quando deixares a ilha que amaste
Há quem te vá dizer que fugi ou que morri.
Mas...
Tu sabes.

Eu voei. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Voltar

O regresso trouxe-nos de outro maneira.
Somos agora mais felizes, mais fortes...
Somos Homens que vieram do campo e só isso, diz tudo.
"Tudo posso naquele que me fortalece"

domingo, 11 de dezembro de 2011

Tudo o que existe ou é para nós, começa por se formar de uma nesga de real. A seguir vem o abstracto que dura, perdura e faz do que vemos aquilo que queremos. Uns dias mais umas nesgas. Juntando umas peças... E pronto. Percebemos, às vezes, que o que criamos está a milhas do que é, do que foi ou do que significa.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Por tanto procurei

Por tantas coisas procurei.
Por tantas vezes busquei aventuras ou escapadelas que pudessem trazer à Vida o que nem sempre a vida dá.

Tanto e tanto tempo.
Tantas e tantas coisas.
Tanta e tanta gente.

 E nada...

Até que, me apercebi que a maior de todas as aventuras é afinal, a de resistir às forças do fracasso.                                                                         

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"A incompreensível dor de mim"

O número de leitores deste blogue não é muito grande, no entanto, não poderia deixar passar a oportunidade de "publicitar" um dos livros que mais me marcou nos últimos tempos (mesmo não tendo grande esperança que a mensagem se difunda).

Para os que me conhecem, bem sabem o quanto gosto de um bom livro e, o quanto deposito nos mesmos...é verdade, acredito plenamente que um livro, uma história, uma qualquer coincidência, descoberta nas entrelinhas de um autor próximo ou desconhecido, que se encaixe na nossa vida pode ser a prova de um elixir que há tanto tempo procuramos.

Este blogue, que na Internet perdura há já uns aninhos, nasceu pelo teclado de um grande companheiro e familiar, o meu primo, autor deste livro de que vos falo. Esse mesmo primo, que mais que um exemplo de trabalho, de personalidade, de abraço forte...é um exemplo humano e o melhor contador de histórias que algum dia conhecerei, realizou o sonho de passar para o papel a maior e mais emocionante experiência...A própria vida.

O maior dos gostos dos últimos tempos foi ler um livro, que já tendo sido lido na obscuridade das folhas impressas numa impressora caseira, pareceu novo. A vida deste Homem é uma eterna novidade a cada vez que abro uma página.

A história, se a quiserem seguir, existe. Se quiserem uma história melhor, que é a que se encontra no acaso, experimentem abrir um dia uma página e, o desejo de mais, crescerá a cada dia que descobrem uma alma que viva habita por entre as ilustrações de um pequeno mundo às letras.

Melhor e mais não se podia esperar da literatura. Não é pesado nem leve. É o que se procura, de tal modo que me vejo incapacitada de atribuir qualquer adjectivação à dita obra. O que nos sai é o suspiro de sentirmos que, afinal, ainda existimos, ainda temos algo que nos une, ainda somos alguma coisa para alguém.

Umas palavras do autor:


Ontem aprendi...Gostava que o meu livro fosse um movimento... um movimento que está desconhecido, mas que as pessoas já desejavam... para não se sentirem sós nesse sentimento... Gostava que o meu livro fosse aquilo que as interligasse... Gostava. Cada vez é mais importante a história, contar uma história...não a que está no livro, mas aquela que é o movimento, a que nos une...a que todos sentimos...Não estudei o 'mercado', só queria contar a história no meu conceito ou no vosso conceito...

Para os curiosos e interessados visitem:
http://www.facebook.com/home.php?#!/pages/A-Incompreens%C3%ADvel-Dor-de-Mim/185476898191813

Que mania essa de achar que tudo tem uma razão de ser, que tudo se explica, que tudo existe...

Há coisas que nunca te saberei dizer

Há coisas que nunca te saberei dizer.

Nos recantos de nós, vamos sendo mais do que algum dia seremos.
Vamos cantando, quando o sol assim o permite.
Vamos deambulando quando as noites não terminam.
Vamos criando espaços, tempos e verdades que não existem no Mundo que construímos.

Tantas e tantas coisas que somos em nós, que nunca terão a possibilidade nem a coragem de serem libertadas.
Não que traga estes segredos de um outro eu que não se expressa... Não que traga uma verdade ou virtualidade que valha a pena... Não que sinta este verdadeiro sentido de unidade para falar de um nós que só em mim habita.
Não que ache que todos sentem ou todos falam.

Quase nada é certo, já se sabe.
E apesar de não correr comigo a certeza na demanda do futuro,
Sei,
Que há coisas que nunca te saberei dizer.

domingo, 13 de novembro de 2011

Parece

Parece que ainda vemos alguma coisa.
Parece que ainda sentimos a inquietude pela brisa marítima, o receio quando passamos a ponte que nos separa.
Parece que ainda somos frios quando nos provocam, ou amargos quando sentimos saudade.
Às vezes, até parece que sentimos a calma com o jazz ou o desejo de revolta com o amanhecer. Parece que vamos ser assim para sempre e contar na eternidade o tempo que há-de chegar, o  tempo de sermos velhinhos a olhar para a vida como o belo livro que se anseia desfechar, mas nunca acabar...

Tanto parece e tanto deixa de parecer, quando pela primeira vez reconhecemos que o parecer é tudo uma questão de perspectiva.
Pareceu, parece..e daí?

Quem garante o que é ou o que há-de vir?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

-"Sabes uma das coisas que ainda me fascina?"
-"..."
-"A ausência de inveja na Amizade."


domingo, 6 de novembro de 2011

Apocalipse de nós




Se puderes imaginar a fracção de segundo mais bombástica da explosão do Bigbang
Consegues perceber (1) pouco do Apocalipse que vejo na junção da tua alma com a minha.

Não achas possível?
Bem sabia que da maioria vivem os fracos.

Voltar

Não sei se volto deste sítio onde me perdi.

Voltar
era quebrar o que nos separa,
era arriscar partir o pouco que trago dentro.

Voltar, só por si, era perder mais do que aquilo que perdi ao partir.
E quando parti, não perdi...quase nada.


Se quiseres

Se quiseres vir...
Eu tenho a morada do lugar onde sempre quiseste chegar,
Eu tenho o tempo na eternidade para vivermos o que sempre sonhaste,
Eu tenho o Amor que será sempre maior do que os números infinitos que representas na tua mente.

Eu tenho tudo.
Menos a certeza.

Pelo mísero que nunca tem vontade de ser e pela partida que não existe.Rogam-se as pragas e nunca a oração.
Por todos os não tentados e pelos que nem sonhados foram. Despe-se o véu da mentira que os encobre.

Os defuntos no lugar deles.
As almas no limbo...o lugar delas. 



Quando sentires a ausência de nada.
És tu
Morto.

domingo, 23 de outubro de 2011

Passar o Amanhã




E os sonhos começam a valer mais, quando o abstracto desejado passa a realidade prometida.
Amanhã já quero acordar.
Porque depois do Amanhã que não me tem apetecido é já, o que hoje prometi acontecer.

Chamem-lhe fuga. Alegria a mais. Ilusão. O que quiserem...
Só isto nos diz que respiramos, nem que seja um outro ar que para vocês nem existe.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011


De uma grande amiga, como luz no escuro

“Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to… love what you do. (…) Your time is limited. Don’t waste it living someone else’s life”. - Steve Jobs

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A frase que mais se dirá entre amigos no decorrer dos tempos:
"Uma vez, vi um filme..."

domingo, 2 de outubro de 2011


No Inesperado o Sucedido.
Na Casualidade o Dia.
No Momento o Encontro.
No Estranho o Bom.
Na Inevitabilidade Tu.

Envolvida na aspiração da aventura são inúmeras as vezes que as oportunidades, os factos e as Pessoas passam despercebidas, (poder-se-ia dizer), mas não. Tudo passa perceptivelmente  passageiro nessas ocasiões. Tudo passa presencialmente. Tudo passa como o que passa e nada deixa, parte e nunca regressa. Mas há umas tantas, que ainda que escondidas pelo claro da adrenalina, ficam.

Foi engraçado o início. Num país diferente, conversa em português. Numa estrada citadina uma ciclada  em que íamos a dois ou a três. Na carreira uma dica telefónica. Ao fim do dia uma lembrança. Na madrugada até fotografias da gansa. 

Até aqui, normal. Todo o começo é involuntário, já se sabe. E de facto, não seria a primeira  vez , em que por detrás da promessa estaria o isolamento da peça.
Mas tudo sucede e prossegue, quando o tempo, a vontade, o inesperado e os espíritos caminham lado a lado. E assim foi. Numa direcção difusa, por não definida, havia a admissão de dois sentidos. Sentidos inversos, que ainda assim, asseguravam no Longe a irreversibilidade do (re)encontro.

No abstracto tudo isto. No concreto muito mais. As viagens. A partilha na conversa e no silêncio. As aventuras. Os testes. Os compromissos. As promessas. Os sonhos. As telepatias. As necessidades. Os apelos. As ciganices. As brincadeiras. As utopias e as realidades visíveis. O que é, porque é, porque assim se quis. Os “fffs” e os “ses” da indecisão. O conhecimento. O transversal da vivência, na balança, que equilibrada, diferentemente se posiciona. As lágrimas, reais ou não, que existem. Os bichos. A Mata. Os leão. O “Fumar mata”. Os drinks. A arma. A coincidência de não existirem coincidências. Os filmes e os livros. Os planos.

O tempo.

O Tempo que de tão pouco tempo foi feito e tanto Tempo trouxe, um Tempo que não existia há muito, ao longo dos tempos.  

Trouxeste o Tempo. O Tempo que me faltava e que parecia não fazer falta…
Realmente só somos lúcidos, só atingimos verdades, verosímeis, imprescindíveis quando temos, não Tendo o que na Caverna não existe.

O texto em cima escrito é a confusão que (in)confusa em mim existe. A massa que não teve o azar de ser arroz. Qualquer coisa entre o que penso ou acredito ou ambos. És Tu, torta, diferente, por linhas direitas.