Vamos escrever sobre o que nos apetecer, da forma que sentirmos, sem nunca pensarmos porque é que o continuamos a fazer...
Frase do Dia
- "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Aqui
Em dias como este, vejo-me a não pertencer mais aqui.
A distância, o longe, a viagem, ensinam-nos que não somos de lugar nenhum,
Mas tão somente escravos das pessoas ou da nossa própria solidão.
A beleza, o ar que respiramos, o tecto de estrelas que nos abriga nas noites frias
São arquétipos de um qualquer deslumbramento que advém da forçosa necessidade de querermos ser felizes.
Não há nada nos lugares.
Não há nada no que vemos,
Para além do que temos,
Do que somos,
Do que esperamos.
Por isso, tenho as minhas dúvidas
Quando digo que me vejo a não pertencer mais aqui.
Terei deixado eu de ter,
de Te ter?
Terei deixado eu de ser?
Terá a esperança acabado?
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Sei que não podes acreditar
Se te dissessem que o meu coração é tão puro quanto aquilo
que te digo, saberia que não irias acreditar.
O que os teus olhos veem é aquilo que não querem ver, é o
que te dizem, é o que tu sentes.
E eu não te posso julgar, nem te posso provar aquilo que não
vês, aquilo que não sentes, aquilo que não ouves.
A única esperança que me resta, que é tão forte quanto a
crença no nosso futuro, é de que no fundo de ti haja um palpite, um “what if”,
uma luz que te permita acreditar nas palavras e nos olhares que te deixo.
Nunca os meus olhos serão tão sinceros como quando proferida
a palavra amo-te diante dos teus.
sábado, 14 de setembro de 2013
Hummm
Espectacular! Simplesmente de Miguel Esteves Cardoso
http://o-povo.blogspot.pt/2013/09/o-hmmm-da-questao.html
http://o-povo.blogspot.pt/2013/09/o-hmmm-da-questao.html
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O amor que cresce nas árvores
“Hoje, preciso de ti. Depois de nós, nesse tempo, houve uma verdade que ficou parada nos meus olhos: alguém de quem gostamos muito, o amor, ficará nas árvores, continuará a crescer, como uma criança, dentro dos troncos e dos ramos mais finos das árvores.”
José Luís Peixoto
José Luís Peixoto
O Lago
De mãos dadas e costas voltadas chegámos por fim ao Lago da nossa Loucura.
O Lago que avistávamos, de tão negro e redundante, absorvia-nos toda a energia nas primeiras expirações.
Ficámos tristes, vazios, eternos na nossa pequenez.
O teu olhar tão assustado como o meu coração, perdia-se na escuridão daquele sítio. A escuridão que era a nossa. A escuridão que só nós criámos, porque nunca aceitámos ser felizes.
Gostava de me lembrar dos tempos em que tu e eu queríamos o mar, o mar da nossa felicidade, da nossa ousadia, da nossa promessa.
Tenho saudades dos tempos em que não éramos consumíveis pelo tempo ou pelos Lagos ou por nós próprios.
Dá-me a mão do regresso.
Há volta a dar?
Ou já saltaste para o Lago onde vamos morrer?
Tu levaste-te
Se me perguntarem se morri quando te perdi, não lhes saberei responder.
Saberei apenas que a ausência que em mim surgiu, de tão real, tornou-se enraizada, latente, sedenta.
Com a força dessa tua demanda para o Longe, relembro-me que há muito que não sei sentir nada senão a tua perda.
E desespero nesses dias intermináveis em que relembro, porque me seco da sede de te não beber.
No Longe estás tu.
E lá tiveste, tens e terás a ousadia, a dureza ou o desprezo de levar tudo contigo.
Tu levaste o teu sorriso, a tua pele encostada à minha.
Tu levaste o teu discurso sem sentido, o teu entusiasmo.
Tu levaste tudo contigo.
Deixaste-te a ti e ao teu mundo numa mala fechada que espera por "só mais uma volta" que desta não tem regresso.
E eu queria...
Eu queria que tu te levasses e não te levasses.
Queria pegar na tua mala e voar para outro longe, deixando-te comigo ou com a Felicidade das ilhas desertas.
E eu...
Que nos momentos de perda (que nem na escrita me consigo livrar) vivo a esperança, na esperança os dias e as noites alucinantes, nas alucinações a infeliz descoberta do querer dar mais do que aquilo que posso.
E então eu queria, quero e não posso.
Eu queria-te fazer renascer, falar-te dos tempos que sonho existir.
Eu queria falar-te de mim, mostrar-te o meu coração podre, os meus braços fracos.
Eu queria abraçar-te pela última vez como na primeira: com o arrepio, com o beijo algemado, com todas as promessas que só os nossos corpos e almas unidos podem prometer.
Eu queria-te, quero-te e não te posso.
Porque tu te levaste, porque eu quis e não quis, porque me perdi ao querer-te encontrar.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Nunca foi fácil
Nunca foi fácil chegar a ti.
Mas tu sabes...
Tu sabes que esse teu mistério
Esse teu segredo
Essa tua luz, que trazes guardada numa mão fechada
Esse teu olhar inconfundível
Arrastam-me contigo.
Não construas mais muralhas
Não te guardes mais
Não fujas de mim.
Muitas vezes,
Quando te vejo a trabalhar nesse muro de pedra,
Sinto uma profunda solidão
Um profundo silêncio.
E há uma certeza,
Que pode durar momentos,
Mas que existe.
Há a certeza de que no momento em que os muros cessarem entre nós
Te vais esquecer de mim.
Como eu nunca me esquecerei de ti.
Mas tu sabes...
Tu sabes que esse teu mistério
Esse teu segredo
Essa tua luz, que trazes guardada numa mão fechada
Esse teu olhar inconfundível
Arrastam-me contigo.
Não construas mais muralhas
Não te guardes mais
Não fujas de mim.
Muitas vezes,
Quando te vejo a trabalhar nesse muro de pedra,
Sinto uma profunda solidão
Um profundo silêncio.
E há uma certeza,
Que pode durar momentos,
Mas que existe.
Há a certeza de que no momento em que os muros cessarem entre nós
Te vais esquecer de mim.
Como eu nunca me esquecerei de ti.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Raízes
Há em mim um bloqueio na demanda para o infinito que em tempos conheci.
Os andares pela Vida comum, as relações sólidas, os compromissos, criaram raízes que fizeram dos meus tornozelos o seu alimento.
Raízes da terra, das folhas e da alma deste Mundo que tanto ou tão pouco consegue trazer consigo.
Há nesta prisão, a sensação leve da plenitude, da liberdade e do preenchimento do tempo.
Há o sentimento de poder sob o que não é possuído.
Há a confiança de que se encontra naquilo que queremos, um reflexo de nós, por ser o que mais procuramos.
Há uma respiração e um bater de coração.
Há tudo isto, nos dias sucessivos que vivo amarrada a vós e tão longe de mim.
Quando chega a noite, as luzes da vossa vida apagam-se, as almas recolhem-se às suas casas e nesta terra fico eu.
Só, com as minhas raízes.
Nas noites em que a sorte me bate à porta e uma forte penumbra recai sobre a vida, avisto no horizonte a tua Luz, que nunca se apaga como as dos Outros.
Essa Luz, que é tanto uma ilusão no nevoeiro quanto no meu dia a dia.
Nessas noites sou frágil.
Porque a tua Luz me toca.
Nessas noites choro e repudio-vos a todos.
Sim, vocês que me prenderam para sempre à terra,
Vocês que me impediram para sempre de me perder na noite
À procura de ti.
Os andares pela Vida comum, as relações sólidas, os compromissos, criaram raízes que fizeram dos meus tornozelos o seu alimento.
Raízes da terra, das folhas e da alma deste Mundo que tanto ou tão pouco consegue trazer consigo.
Há nesta prisão, a sensação leve da plenitude, da liberdade e do preenchimento do tempo.
Há o sentimento de poder sob o que não é possuído.
Há a confiança de que se encontra naquilo que queremos, um reflexo de nós, por ser o que mais procuramos.
Há uma respiração e um bater de coração.
Há tudo isto, nos dias sucessivos que vivo amarrada a vós e tão longe de mim.
Quando chega a noite, as luzes da vossa vida apagam-se, as almas recolhem-se às suas casas e nesta terra fico eu.
Só, com as minhas raízes.
Nas noites em que a sorte me bate à porta e uma forte penumbra recai sobre a vida, avisto no horizonte a tua Luz, que nunca se apaga como as dos Outros.
Essa Luz, que é tanto uma ilusão no nevoeiro quanto no meu dia a dia.
Nessas noites sou frágil.
Porque a tua Luz me toca.
Nessas noites choro e repudio-vos a todos.
Sim, vocês que me prenderam para sempre à terra,
Vocês que me impediram para sempre de me perder na noite
À procura de ti.
És tu quem verdadeiramente me quer
Porque me ardes no peito em cada suspiro de alívio.
Porque te perdes nos pensamentos que tinha fechado a mim mesma.
És tu quem verdadeiramente me quer,
Porque verdadeiramente me conheces.
Porque te perdes nos pensamentos que tinha fechado a mim mesma.
És tu quem verdadeiramente me quer,
Porque verdadeiramente me conheces.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Deixar
Deixei de escrever.
Deixei de escrever, porque tudo se tornava ou tornou real.
E não existe nada e existe tudo, quando a realidade se mistura com o que quer que seja.
Deixei de escrever, porque tudo se tornava ou tornou real.
E não existe nada e existe tudo, quando a realidade se mistura com o que quer que seja.
sábado, 30 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Mediocridade
Nunca julguei poder dizer isto,
Mas às vezes é preciso experimentar a mediocridade para sabermos o que realmente significa nunca poder ser verdadeiramente feliz.
Como acontece com todas as experiências menos boas na nossa vida, a inteligência está em não voltar a provocá-las.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Pela primeira vez parece custar partir em busca de uma qualquer aventura que está prometida.
Estranho será, dar conta de que não existe algo que verdadeiramente me prenda aqui.
Algo que valha a pena.
Algo que me sugue tudo e outras tantas coisas de que sou feita.
Algo que mereça a minha presença em detrimento da viagem.
Isto desconsola-me. Esta solidão que existe, quando a possibilidade de não valer a pena se agiganta.
Assemelho-me a uma qualquer espécie que não pertence a nenhum habitat, não se encontrando igualmente apta para viver do nomadismo.
Que sentido este de não pertencer a parte nenhuma.
Que fraqueza esta da incredulidade constante no que é eternamente bom.
Que cobardia esta da incapacidade de ficar perto de ti nas jornadas que prometi.
Que é isto da ausência de caminho?
Que é isto da exorbitância de sonhos, de desejos, de pensamentos futuristas?
Que é tudo isto se não valer a pena?
Já diria Pessoa nos seus gritos de angústia ou num falso patriotismo " Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Que génio que era...
Mas desafiava-o, se o tivesse conhecido:
Pedia para o ouvir em palavras cruas, com som, num timbre fraco ou destemido, não importa... Mas não...Não lhe queria os poemas, não nesta linguagem facilmente adulterada e estranhamente engenhosa, a linguagem da escrita
Que fácil que é perdermo-nos aqui e levarmos a dimensão que construímos depois, debaixo do braço.
Depois de escrito isto, riu-me de mim. Que julgo ou julgava (não sei) não ser Humano de me lançar a um Desconhecido que não prometa mais do que o que já se Conhece.
Estranho será, dar conta de que não existe algo que verdadeiramente me prenda aqui.
Algo que valha a pena.
Algo que me sugue tudo e outras tantas coisas de que sou feita.
Algo que mereça a minha presença em detrimento da viagem.
Isto desconsola-me. Esta solidão que existe, quando a possibilidade de não valer a pena se agiganta.
Assemelho-me a uma qualquer espécie que não pertence a nenhum habitat, não se encontrando igualmente apta para viver do nomadismo.
Que sentido este de não pertencer a parte nenhuma.
Que fraqueza esta da incredulidade constante no que é eternamente bom.
Que cobardia esta da incapacidade de ficar perto de ti nas jornadas que prometi.
Que é isto da ausência de caminho?
Que é isto da exorbitância de sonhos, de desejos, de pensamentos futuristas?
Que é tudo isto se não valer a pena?
Já diria Pessoa nos seus gritos de angústia ou num falso patriotismo " Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Que génio que era...
Mas desafiava-o, se o tivesse conhecido:
Pedia para o ouvir em palavras cruas, com som, num timbre fraco ou destemido, não importa... Mas não...Não lhe queria os poemas, não nesta linguagem facilmente adulterada e estranhamente engenhosa, a linguagem da escrita
Que fácil que é perdermo-nos aqui e levarmos a dimensão que construímos depois, debaixo do braço.
Depois de escrito isto, riu-me de mim. Que julgo ou julgava (não sei) não ser Humano de me lançar a um Desconhecido que não prometa mais do que o que já se Conhece.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Âncorar
Descer à terra sem âncoras prováveis para falar do que nos dias vemos:
Falamos nós da realidade, do que é, do que aconteceu, das verdades...
Falamos a atrocidar os termos e, aproveitamos a possivel falsifade dos mesmos, para nos escondermos.
Daria jeito se a essa realidade e a todos esses entulhos fôssemos Pertencidos:
Nesse caso ou não a precisávamos de tomar ou não a precisávamos de manter.
Mas aí reina o problema.
A triste dificuldade de nos comprometermos para "tomarmos" e a triste desgraça de termos de cativar para "manter".
Por considerarmos a nossa vivência mais vasta que a nossa velhice, continuamos.
Continuamos a cair na dificuldade e na desgraça.
Continuamos acreditar que as histórias das âncoras pesadas e das âncoras firmes têm o mesmo final...
Como a ingenuidade é grande e a teimosia ainda maior...
Mas surgirá o dia em que da brincadeira da invenção da vida surgirá aquilo que esperamos do final da emoção...
A certeza de que algo pode durar para sempre...
"Certaines choses durer Éternellement"
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Máscara
Pudesse o tempo trazer máscaras
Que te não iria reconhecer
Nos momentos em que a tua existência cruza a minha.
E o tempo pode.
Bem sabes,
O tempo pode coisas que eu não posso.
As máscaras,
que com o tempo vêem,
trazem o vento,
que contraria os motores engrenados em sentido oposto.
E os motores somos nós,
São o nosso esforço,
A nossa vida,
que pouca água levanta.
A cada vez que trazes a tua máscara,
Há um instante
que só em nós acontece.
Há uma perda de respiração,
de equilíbrio,
de consciência.
Há uma distância que não se explica.
Pudesse eu não trazer o tempo,
Pudesse eu parar o Mundo que carregas,
Pudesse eu levar-te onde quero...
E não trazias essa tua máscara
que de tanto tempo, a ti se foi moldando.
Hoje,
por favor,
não a tragas contigo.
É só a ti que eu quero.
Como na primeira vez que te vi.
Que te não iria reconhecer
Nos momentos em que a tua existência cruza a minha.
E o tempo pode.
Bem sabes,
O tempo pode coisas que eu não posso.
As máscaras,
que com o tempo vêem,
trazem o vento,
que contraria os motores engrenados em sentido oposto.
E os motores somos nós,
São o nosso esforço,
A nossa vida,
que pouca água levanta.
A cada vez que trazes a tua máscara,
Há um instante
que só em nós acontece.
Há uma perda de respiração,
de equilíbrio,
de consciência.
Há uma distância que não se explica.
Pudesse eu não trazer o tempo,
Pudesse eu parar o Mundo que carregas,
Pudesse eu levar-te onde quero...
E não trazias essa tua máscara
que de tanto tempo, a ti se foi moldando.
Hoje,
por favor,
não a tragas contigo.
É só a ti que eu quero.
Como na primeira vez que te vi.
domingo, 8 de abril de 2012
O sonho
Fecho os olhos e, o sonho que mais desejo, chega a mim sem esforço.
És tu, num passado em que não existias, ou já existias sem eu saber.
É estranho descrever esse ser que aparece no teu lugar:
Tão profundamente parecido, tão profundamente ligado ao meu dia...
Podias ser tu e não és.
Não é o teu corpo, não é a tua voz, não é o teu sorriso,
Mas só podes ser tu...
Eu sei o que os sonhos escondem.
Se te pudesse dar metade dessa visão,
Dessa vida que só acontece no sonho...
Saberias que não há nada melhor que esse sonho.
Que não se repetindo na sua história,
Repete-se na essência,
E na personagem que te representa.
Ai...Se eu pudesse voltar ao passado
Procurava por ti, antes de te encontrar aqui, assim.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Todos nós temos a nossa palhota
Todos nós temos a nossa palhota.
Esse abrigo onde nos escondemos dos nossos maiores medos.
A casinha feita do nosso esforço,
O lar com a capacidade de nos tornar génios!
Ah sim!De dentro daquelas paredes vai de certo surgir uma grande obra!
Assim cremos.
A palhota é o primeiro lugar que surge quando pensamos no Amor.
Aquele chão de madeira encerada,
A lareira aberta,
A janela gigante com vista de Mar.
As escadas apertadas para o sotão,
A cozinha de pedra antiga,
A sala forrada de livros e bons filmes.
A palhota também guarda os nossos Amigos das tempestades.
Passamos jornadas,
Horas a fio com uma boa bebida e uma boa conversa.
Às vezes, na palhota, vamos a outros países e à Lua,
Jogamos jogos que não existem
E contamos os nossos maiores segredos.
A palhota fica longe da casa onde vivemos.
Uma viagem longa leva-nos à montanha que dá para o Mar
E aí chegamos.
Na maioria das vezes a palhota está sozinha.
Tem visitas esporádicas mas penetrantes.
A palhota acolhe como se sempre esperasse a nossa vinda.
Mantém-se fresca, mas conserva uma velhice
Que a torna misteriosa e atenta.
Na palhota tudo acontece e ninguém sabe.
Todos, mesmo os sem casa, têm a sua palhota.
Esse abrigo onde nos escondemos dos nossos maiores medos.
A casinha feita do nosso esforço,
O lar com a capacidade de nos tornar génios!
Ah sim!De dentro daquelas paredes vai de certo surgir uma grande obra!
Assim cremos.
A palhota é o primeiro lugar que surge quando pensamos no Amor.
Aquele chão de madeira encerada,
A lareira aberta,
A janela gigante com vista de Mar.
As escadas apertadas para o sotão,
A cozinha de pedra antiga,
A sala forrada de livros e bons filmes.
A palhota também guarda os nossos Amigos das tempestades.
Passamos jornadas,
Horas a fio com uma boa bebida e uma boa conversa.
Às vezes, na palhota, vamos a outros países e à Lua,
Jogamos jogos que não existem
E contamos os nossos maiores segredos.
A palhota fica longe da casa onde vivemos.
Uma viagem longa leva-nos à montanha que dá para o Mar
E aí chegamos.
Na maioria das vezes a palhota está sozinha.
Tem visitas esporádicas mas penetrantes.
A palhota acolhe como se sempre esperasse a nossa vinda.
Mantém-se fresca, mas conserva uma velhice
Que a torna misteriosa e atenta.
Na palhota tudo acontece e ninguém sabe.
Todos, mesmo os sem casa, têm a sua palhota.
quinta-feira, 22 de março de 2012
A tua alma está velha no teu corpo.
As tuas veias assombram-me nos teus pulsos débeis.
O teu cansaço na vida é maior que as viagens que não fizeste.
O teu olhar de soldado de grandes guerras deixa o Mundo frágil.
As tuas pernas, cansadas de correr pelos outros, resistem menos.
O teu sorriso é seco, porque a vida te tirou todas as respostas.
E tudo eu podia dizer sem nada fazer.
Tu aí.
Eu aqui.
Com uma vontade enorme de poder dar a toda a hora um abraço.
Com um grito gigante de desespero.
Com uma imensa tentação de dar ao que Reina o que quer, sem te dar a ti:
Porque fazes demasiada falta.
As tuas veias assombram-me nos teus pulsos débeis.
O teu cansaço na vida é maior que as viagens que não fizeste.
O teu olhar de soldado de grandes guerras deixa o Mundo frágil.
As tuas pernas, cansadas de correr pelos outros, resistem menos.
O teu sorriso é seco, porque a vida te tirou todas as respostas.
E tudo eu podia dizer sem nada fazer.
Tu aí.
Eu aqui.
Com uma vontade enorme de poder dar a toda a hora um abraço.
Com um grito gigante de desespero.
Com uma imensa tentação de dar ao que Reina o que quer, sem te dar a ti:
Porque fazes demasiada falta.
Nas Noites
Nas Noites em que não acontecemos, o Mundo é cego.
Nas Noites em que descobrimos as estradas de regresso a nós, a Vida não existe.
Nas Noites em que fugimos da cidade para o mar, o dia de amanhã não vem.
Nas noites do antigamente, que a estas Noites não pertencem, expirávamos o mesmo ar da Terra, o mesmo vento da montanha, os mesmos povos...tudo era tão igual nessas noites que Noites não eram.
E ainda assim sabíamos, nas noites do antigamente, que algo de maior estava para vir.
Eram estas, as Noites que me faltavam
Nas Noites em que descobrimos as estradas de regresso a nós, a Vida não existe.
Nas Noites em que fugimos da cidade para o mar, o dia de amanhã não vem.
Nas noites do antigamente, que a estas Noites não pertencem, expirávamos o mesmo ar da Terra, o mesmo vento da montanha, os mesmos povos...tudo era tão igual nessas noites que Noites não eram.
E ainda assim sabíamos, nas noites do antigamente, que algo de maior estava para vir.
Eram estas, as Noites que me faltavam
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Gostava
Gostava de te poder falar a cada instante sobre o que me vai na alma, sem que existisse uma verdadeira invasão.
Gostava de te ter mais vezes por perto, mesmo que, por vezes, na proximidade a distância se crie.
Gostava de saber mais de ti e da tua vida, sem uma pergunta eminente.
Gostava de tanta coisa e, no entanto, preenche-me tanto, tão somente o que tenho e trago de ti.
Gostava de te ter mais vezes por perto, mesmo que, por vezes, na proximidade a distância se crie.
Gostava de saber mais de ti e da tua vida, sem uma pergunta eminente.
Gostava de tanta coisa e, no entanto, preenche-me tanto, tão somente o que tenho e trago de ti.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Olhos abertos
As vozes sussuram-te;
"Está atento!"
"Não te deixes dormir!"
Fazes o esforço, mantens os olhos bem abertos.
Passas noites em branco e nada te faz largar a missão.
Atento, de olhos postos no Mundo...em tudo e em todos.
Meu bom homem é bom estar atento, faz parte do bom caminho...mas lembra-te, muitos dos que morreram, estavam e ficaram de olhos abertos.
"Está atento!"
"Não te deixes dormir!"
Fazes o esforço, mantens os olhos bem abertos.
Passas noites em branco e nada te faz largar a missão.
Atento, de olhos postos no Mundo...em tudo e em todos.
Meu bom homem é bom estar atento, faz parte do bom caminho...mas lembra-te, muitos dos que morreram, estavam e ficaram de olhos abertos.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O início
É como ter nascido de novo.
Não ter medo das ruas e estradas difíceis até ao teu abrigo.
Não ter medo da noite, pelo contrário, levar as mãos ao vento a música à boca.
Que tarde...que noite.
Simples, mas vividas.
Limitada pelas vidas ocupadas.
Mas é por isso que somos nós, é por isso que vale a pena.
No regresso a casa, numa viagem longa, que só custa pela distância que entre nós se cria,
Surgem sempre as mesmas palavras:
Inesperado, Tempo, Inacreditável.
Não ter medo das ruas e estradas difíceis até ao teu abrigo.
Não ter medo da noite, pelo contrário, levar as mãos ao vento a música à boca.
Que tarde...que noite.
Simples, mas vividas.
Limitada pelas vidas ocupadas.
Mas é por isso que somos nós, é por isso que vale a pena.
No regresso a casa, numa viagem longa, que só custa pela distância que entre nós se cria,
Surgem sempre as mesmas palavras:
Inesperado, Tempo, Inacreditável.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Vila D'Arcos
Um excerto de um livro de Sophia de Mello Breyner que me disse muito quando era criança e que, ainda me diz...
(...)Há jardins imprevistos, mais subtis e complexos do que o imaginável, onde crescem altas magnólias, com grandes flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas e onde a água de prata que irrompe das boca dos golfinhos de pedra cai nos pequenos tanques oitavados. Jardins de buxo, camélias, e violetas perfumados de contemplação e paixão, de esquecimento e silêncio. Jardins docemente abandonados a uma solidão dançada pelas brisas, enquanto um longo sussurro de adeus acena de folha em folha nos ramos mais altos das árvores. Jardins onde reconhecemos que a vida é um sonho do qual jamais acordamos, um sonho onde irrompem aparições prodigiosas como o lírio, a águia, e o inesquecível rosto amada com paixão, mas onde tudo se transformar em esquecimento, distância, impossibilidade e detrito. Jardins onde reconhecemos que a nossa condição é não saber. É não poder jamais encontrar a unidades. E encontrar a unidade seria acordar.
(...)Há jardins imprevistos, mais subtis e complexos do que o imaginável, onde crescem altas magnólias, com grandes flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas e onde a água de prata que irrompe das boca dos golfinhos de pedra cai nos pequenos tanques oitavados. Jardins de buxo, camélias, e violetas perfumados de contemplação e paixão, de esquecimento e silêncio. Jardins docemente abandonados a uma solidão dançada pelas brisas, enquanto um longo sussurro de adeus acena de folha em folha nos ramos mais altos das árvores. Jardins onde reconhecemos que a vida é um sonho do qual jamais acordamos, um sonho onde irrompem aparições prodigiosas como o lírio, a águia, e o inesquecível rosto amada com paixão, mas onde tudo se transformar em esquecimento, distância, impossibilidade e detrito. Jardins onde reconhecemos que a nossa condição é não saber. É não poder jamais encontrar a unidades. E encontrar a unidade seria acordar.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Naquela Manhã
Manhã.
Os raios de sol, por entre as folhas de palmeira, despertaram-te de um sono sem sonho. Movido pela melodia do mar, saíste pelas escadas sem corrimão da cabana que havíamos construído na praia.
O cheiro das flores selvagens, a brisa breve de uma manhã calma.
Chamaste por mim.
E o ar que te envolvia não te trouxe respostas.
Olhaste para diante e viste na areia junto ao mar as pegadas de rasto perdido. Era o mistério de quem ali já não vivia.
Aquela era a manhã em que eu tinha partido.
Nas vezes em que projectei uma embarcação naquela baía, não acreditaste nos meus projectos.
Nas vezes em que te disse que o fogo chamava as almas, e as estrelas as amizades, julgaste as minhas filosofias.
Nas vezes em que te disse que estava fraca, não acreditaste, porque todas as manhãs o sorriso que exigias estava lá.
E agora és tu, na solidão do que é e sempre será nosso.
Sentirás à mesma a brisa, o rebentar das ondas, os raios de sol, o quente do fogo.
Sentirás, mas nunca da mesma forma.
E, quando deixares a ilha que amaste
Há quem te vá dizer que fugi ou que morri.
Mas...
Tu sabes.
Eu voei.
Os raios de sol, por entre as folhas de palmeira, despertaram-te de um sono sem sonho. Movido pela melodia do mar, saíste pelas escadas sem corrimão da cabana que havíamos construído na praia.
O cheiro das flores selvagens, a brisa breve de uma manhã calma.
Chamaste por mim.
E o ar que te envolvia não te trouxe respostas.
Olhaste para diante e viste na areia junto ao mar as pegadas de rasto perdido. Era o mistério de quem ali já não vivia.
Aquela era a manhã em que eu tinha partido.
Nas vezes em que projectei uma embarcação naquela baía, não acreditaste nos meus projectos.
Nas vezes em que te disse que o fogo chamava as almas, e as estrelas as amizades, julgaste as minhas filosofias.
Nas vezes em que te disse que estava fraca, não acreditaste, porque todas as manhãs o sorriso que exigias estava lá.
E agora és tu, na solidão do que é e sempre será nosso.
Sentirás à mesma a brisa, o rebentar das ondas, os raios de sol, o quente do fogo.
Sentirás, mas nunca da mesma forma.
E, quando deixares a ilha que amaste
Há quem te vá dizer que fugi ou que morri.
Mas...
Tu sabes.
Eu voei.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Voltar
O regresso trouxe-nos de outro maneira.
Somos agora mais felizes, mais fortes...
Somos Homens que vieram do campo e só isso, diz tudo.
"Tudo posso naquele que me fortalece"
Somos agora mais felizes, mais fortes...
Somos Homens que vieram do campo e só isso, diz tudo.
"Tudo posso naquele que me fortalece"
domingo, 11 de dezembro de 2011
Tudo o que existe ou é para nós, começa por se formar de uma nesga de real. A seguir vem o abstracto que dura, perdura e faz do que vemos aquilo que queremos. Uns dias mais umas nesgas. Juntando umas peças... E pronto. Percebemos, às vezes, que o que criamos está a milhas do que é, do que foi ou do que significa.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Por tanto procurei
Por tantas coisas procurei.
Por tantas vezes busquei aventuras ou escapadelas que pudessem trazer à Vida o que nem sempre a vida dá.
Tanto e tanto tempo.
Tantas e tantas coisas.
Tanta e tanta gente.
E nada...
Até que, me apercebi que a maior de todas as aventuras é afinal, a de resistir às forças do fracasso.
Por tantas vezes busquei aventuras ou escapadelas que pudessem trazer à Vida o que nem sempre a vida dá.
Tanto e tanto tempo.
Tantas e tantas coisas.
Tanta e tanta gente.
E nada...
Até que, me apercebi que a maior de todas as aventuras é afinal, a de resistir às forças do fracasso.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
"A incompreensível dor de mim"
Para os que me conhecem, bem sabem o quanto gosto de um bom livro e, o quanto deposito nos mesmos...é verdade, acredito plenamente que um livro, uma história, uma qualquer coincidência, descoberta nas entrelinhas de um autor próximo ou desconhecido, que se encaixe na nossa vida pode ser a prova de um elixir que há tanto tempo procuramos.
Este blogue, que na Internet perdura há já uns aninhos, nasceu pelo teclado de um grande companheiro e familiar, o meu primo, autor deste livro de que vos falo. Esse mesmo primo, que mais que um exemplo de trabalho, de personalidade, de abraço forte...é um exemplo humano e o melhor contador de histórias que algum dia conhecerei, realizou o sonho de passar para o papel a maior e mais emocionante experiência...A própria vida.
O maior dos gostos dos últimos tempos foi ler um livro, que já tendo sido lido na obscuridade das folhas impressas numa impressora caseira, pareceu novo. A vida deste Homem é uma eterna novidade a cada vez que abro uma página.
A história, se a quiserem seguir, existe. Se quiserem uma história melhor, que é a que se encontra no acaso, experimentem abrir um dia uma página e, o desejo de mais, crescerá a cada dia que descobrem uma alma que viva habita por entre as ilustrações de um pequeno mundo às letras.
Melhor e mais não se podia esperar da literatura. Não é pesado nem leve. É o que se procura, de tal modo que me vejo incapacitada de atribuir qualquer adjectivação à dita obra. O que nos sai é o suspiro de sentirmos que, afinal, ainda existimos, ainda temos algo que nos une, ainda somos alguma coisa para alguém.
Umas palavras do autor:
Ontem aprendi...Gostava que o meu livro fosse um movimento... um movimento que está desconhecido, mas que as pessoas já desejavam... para não se sentirem sós nesse sentimento... Gostava que o meu livro fosse aquilo que as interligasse... Gostava. Cada vez é mais importante a história, contar uma história...não a que está no livro, mas aquela que é o movimento, a que nos une...a que todos sentimos...Não estudei o 'mercado', só queria contar a história no meu conceito ou no vosso conceito...
Para os curiosos e interessados visitem:
http://www.facebook.com/home.php?#!/pages/A-Incompreens%C3%ADvel-Dor-de-Mim/185476898191813
Há coisas que nunca te saberei dizer
Há coisas que nunca te saberei dizer.
Nos recantos de nós, vamos sendo mais do que algum dia seremos.
Vamos cantando, quando o sol assim o permite.
Vamos deambulando quando as noites não terminam.
Vamos criando espaços, tempos e verdades que não existem no Mundo que construímos.
Tantas e tantas coisas que somos em nós, que nunca terão a possibilidade nem a coragem de serem libertadas.
Não que traga estes segredos de um outro eu que não se expressa... Não que traga uma verdade ou virtualidade que valha a pena... Não que sinta este verdadeiro sentido de unidade para falar de um nós que só em mim habita.
Não que ache que todos sentem ou todos falam.
Quase nada é certo, já se sabe.
E apesar de não correr comigo a certeza na demanda do futuro,
Sei,
Que há coisas que nunca te saberei dizer.
Nos recantos de nós, vamos sendo mais do que algum dia seremos.
Vamos cantando, quando o sol assim o permite.
Vamos deambulando quando as noites não terminam.
Vamos criando espaços, tempos e verdades que não existem no Mundo que construímos.
Tantas e tantas coisas que somos em nós, que nunca terão a possibilidade nem a coragem de serem libertadas.
Não que traga estes segredos de um outro eu que não se expressa... Não que traga uma verdade ou virtualidade que valha a pena... Não que sinta este verdadeiro sentido de unidade para falar de um nós que só em mim habita.
Não que ache que todos sentem ou todos falam.
Quase nada é certo, já se sabe.
E apesar de não correr comigo a certeza na demanda do futuro,
Sei,
Que há coisas que nunca te saberei dizer.
domingo, 13 de novembro de 2011
Parece
Parece que ainda vemos alguma coisa.
Parece que ainda sentimos a inquietude pela brisa marítima, o receio quando passamos a ponte que nos separa.
Parece que ainda somos frios quando nos provocam, ou amargos quando sentimos saudade.
Às vezes, até parece que sentimos a calma com o jazz ou o desejo de revolta com o amanhecer. Parece que vamos ser assim para sempre e contar na eternidade o tempo que há-de chegar, o tempo de sermos velhinhos a olhar para a vida como o belo livro que se anseia desfechar, mas nunca acabar...
Tanto parece e tanto deixa de parecer, quando pela primeira vez reconhecemos que o parecer é tudo uma questão de perspectiva.
Pareceu, parece..e daí?
Quem garante o que é ou o que há-de vir?
Parece que ainda sentimos a inquietude pela brisa marítima, o receio quando passamos a ponte que nos separa.
Parece que ainda somos frios quando nos provocam, ou amargos quando sentimos saudade.
Às vezes, até parece que sentimos a calma com o jazz ou o desejo de revolta com o amanhecer. Parece que vamos ser assim para sempre e contar na eternidade o tempo que há-de chegar, o tempo de sermos velhinhos a olhar para a vida como o belo livro que se anseia desfechar, mas nunca acabar...
Tanto parece e tanto deixa de parecer, quando pela primeira vez reconhecemos que o parecer é tudo uma questão de perspectiva.
Pareceu, parece..e daí?
Quem garante o que é ou o que há-de vir?
terça-feira, 8 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Passar o Amanhã
E os sonhos começam a valer mais, quando o abstracto desejado passa a realidade prometida.
Amanhã já quero acordar.
Porque depois do Amanhã que não me tem apetecido é já, o que hoje prometi acontecer.
Chamem-lhe fuga. Alegria a mais. Ilusão. O que quiserem...
Só isto nos diz que respiramos, nem que seja um outro ar que para vocês nem existe.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
De uma grande amiga, como luz no escuro
“Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to… love what you do. (…) Your time is limited. Don’t waste it living someone else’s life”. - Steve Jobs
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
Na Casualidade o Dia.
No Momento o Encontro.
No Estranho o Bom.
Na Inevitabilidade Tu.
Envolvida na aspiração da aventura são inúmeras as vezes que as oportunidades, os factos e as Pessoas passam despercebidas, (poder-se-ia dizer), mas não. Tudo passa perceptivelmente passageiro nessas ocasiões. Tudo passa presencialmente. Tudo passa como o que passa e nada deixa, parte e nunca regressa. Mas há umas tantas, que ainda que escondidas pelo claro da adrenalina, ficam.
Foi engraçado o início. Num país diferente, conversa em português. Numa estrada citadina uma ciclada em que íamos a dois ou a três. Na carreira uma dica telefónica. Ao fim do dia uma lembrança. Na madrugada até fotografias da gansa.
Até aqui, normal. Todo o começo é involuntário, já se sabe. E de facto, não seria a primeira vez , em que por detrás da promessa estaria o isolamento da peça.
Mas tudo sucede e prossegue, quando o tempo, a vontade, o inesperado e os espíritos caminham lado a lado. E assim foi. Numa direcção difusa, por não definida, havia a admissão de dois sentidos. Sentidos inversos, que ainda assim, asseguravam no Longe a irreversibilidade do (re)encontro.
No abstracto tudo isto. No concreto muito mais. As viagens. A partilha na conversa e no silêncio. As aventuras. Os testes. Os compromissos. As promessas. Os sonhos. As telepatias. As necessidades. Os apelos. As ciganices. As brincadeiras. As utopias e as realidades visíveis. O que é, porque é, porque assim se quis. Os “fffs” e os “ses” da indecisão. O conhecimento. O transversal da vivência, na balança, que equilibrada, diferentemente se posiciona. As lágrimas, reais ou não, que existem. Os bichos. A Mata. Os leão. O “Fumar mata”. Os drinks. A arma. A coincidência de não existirem coincidências. Os filmes e os livros. Os planos.
O tempo.
O Tempo que de tão pouco tempo foi feito e tanto Tempo trouxe, um Tempo que não existia há muito, ao longo dos tempos.
Trouxeste o Tempo. O Tempo que me faltava e que parecia não fazer falta…
Realmente só somos lúcidos, só atingimos verdades, verosímeis, imprescindíveis quando temos, não Tendo o que na Caverna não existe.
O texto em cima escrito é a confusão que (in)confusa em mim existe. A massa que não teve o azar de ser arroz. Qualquer coisa entre o que penso ou acredito ou ambos. És Tu, torta, diferente, por linhas direitas.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Conseguir
É leve a sensação de alegria.
A explosão que de nós emerge, pelos poros da pele cansada é uma imensa onda nuclear, capaz de tingir os corpos dos que perto de nós vivem.
"Nós explodimos, porque nós conseguimos!".
É o que sentimos. Sentem apenas, aqueles que sabem que viveram, alegraram, provaram, experimentaram e sofreram, ao longo destes três ou poucos mais anos de vida.
Foi uma maratona. Lutámos na resistência e aguentámos, cedemos e deixámos o fácil, a favor do "amor à camisola".
Tentados demasiadas vezes a ceder ao pessimismo, os esforços tantas vezes roçaram o derrotismo, tendemos igualmente a esquecer as verdadeiras capacidades que, tão ilimitadamente, nos foram concedidas.
Mas ainda assim, fomos à luta, fizemos diferente, ultrapassámos o que julgávamos não ser possível.
Naquele dia, conforme as escrituras que da nossa mão provieram...
Foi hora de soltar o grito que tínhamos dentro.
Foi hora de provarmos a nós mesmos que, afinal, até somos capazes.
Foi hora de conseguir.
Foi hora de Glória.
Foi hora de falar e ficar rouca, porque uma nova corda se instalou, preparada para mais um sucesso que apenas no Longe se avista.
A explosão que de nós emerge, pelos poros da pele cansada é uma imensa onda nuclear, capaz de tingir os corpos dos que perto de nós vivem.
"Nós explodimos, porque nós conseguimos!".
É o que sentimos. Sentem apenas, aqueles que sabem que viveram, alegraram, provaram, experimentaram e sofreram, ao longo destes três ou poucos mais anos de vida.
Foi uma maratona. Lutámos na resistência e aguentámos, cedemos e deixámos o fácil, a favor do "amor à camisola".
Tentados demasiadas vezes a ceder ao pessimismo, os esforços tantas vezes roçaram o derrotismo, tendemos igualmente a esquecer as verdadeiras capacidades que, tão ilimitadamente, nos foram concedidas.
Mas ainda assim, fomos à luta, fizemos diferente, ultrapassámos o que julgávamos não ser possível.
Naquele dia, conforme as escrituras que da nossa mão provieram...
Foi hora de soltar o grito que tínhamos dentro.
Foi hora de provarmos a nós mesmos que, afinal, até somos capazes.
Foi hora de conseguir.
Foi hora de Glória.
Foi hora de falar e ficar rouca, porque uma nova corda se instalou, preparada para mais um sucesso que apenas no Longe se avista.
sábado, 25 de junho de 2011
Aprendemos a não ter mais do que aquilo que nos prometem.
Somos ensinados a não desejar mais do que aquilo que podemos.
Escolhem-nos destinos que lhes parecem certos.
Dão-nos luz para nos guiarmos entre a manada.
Um mapa para a encruzilhada.
E um deus, para quando der jeito.
Outros tantos, vão-nos dando água para calar a sede da amargura.
De vez em quando uma flor, para o velório da aventura, que devia ter existido e nunca existiu.
Uma quantas vezes uns sapatos novos, porque a vida dura dói, mas não magoa.
E há quem ainda tenha espaço para trazer o chapelinho amarelo. Fofinho e quentinho, no verão, faz lembrar o ventre da mamã, que de parecença com Mãe só mesmo a capacidade de chocar filhos.
Pode ser assim?
Pode. É muitas vezes assim. Demasiadas vezes até.
Começa a estar na hora de
Aprendermos o que não é permitido ser ensinado
de
Desejarmos aquilo que nunca ninguém desejou
de
Escolhermos o nosso próprio destino.
de
Nos guiarmos pelo luar.
de
Largarmos a bússola e partir para a descoberta
de
Concebermos um deus, que exista no que de divino Ele nos deixou
de
Passarmos sede de amarguras
de
Proclamarmos a ressurreição da nossa nossa aventura, que não tendo existido, Tem de existir
de
Andarmos mais vezes de chinelos
de
Largarmos o chapéu amarelo e andarmos de cabelo ao vento.
Somos ensinados a não desejar mais do que aquilo que podemos.
Escolhem-nos destinos que lhes parecem certos.
Dão-nos luz para nos guiarmos entre a manada.
Um mapa para a encruzilhada.
E um deus, para quando der jeito.
Outros tantos, vão-nos dando água para calar a sede da amargura.
De vez em quando uma flor, para o velório da aventura, que devia ter existido e nunca existiu.
Uma quantas vezes uns sapatos novos, porque a vida dura dói, mas não magoa.
E há quem ainda tenha espaço para trazer o chapelinho amarelo. Fofinho e quentinho, no verão, faz lembrar o ventre da mamã, que de parecença com Mãe só mesmo a capacidade de chocar filhos.
Pode ser assim?
Pode. É muitas vezes assim. Demasiadas vezes até.
Começa a estar na hora de
Aprendermos o que não é permitido ser ensinado
de
Desejarmos aquilo que nunca ninguém desejou
de
Escolhermos o nosso próprio destino.
de
Nos guiarmos pelo luar.
de
Largarmos a bússola e partir para a descoberta
de
Concebermos um deus, que exista no que de divino Ele nos deixou
de
Passarmos sede de amarguras
de
Proclamarmos a ressurreição da nossa nossa aventura, que não tendo existido, Tem de existir
de
Andarmos mais vezes de chinelos
de
Largarmos o chapéu amarelo e andarmos de cabelo ao vento.
sábado, 18 de junho de 2011
"Ensaio para um exame de patifes"
Movidos por momentos "nerds" obrigatórios, todos temos sido nestes últimos tempos ratos de biblioteca... Uns mais que outros, já se sabe, mas todos ("e coitadinhos de nós!") vamos sofrendo um pouco com esta literatura que nos é impingida, cuspida... como se de baldes de cuspo vivesse a alma.
Por ter surgido de uma forma distinta, (isto é, espontânea) daquela que surge essa literatura cuspida, partilho convosco um texto, cujo título ousa ser "Ensaio para um exame de patifes" (O querido Saramago que me perdoe o plágio "inocente"...e os "patifes" que me perdoem a denominação pouco estóica)
A palavra “viagem” corre, só por si, o Mundo inteiro. Nos diferentes idiomas o ser Humano expressa a sua vontade de partir para se encontrar a si e aos “outros”. Movidos por um impulso de fuga, por um chamamento divino ou mesmo porque a curiosidade é, e será sempre, o verdadeiro motor da nossa existência, partimos na busca da aventura, do conhecimento ou do sossego.
Também eu, amante das viagens, vejo sempre e em cada uma, a demanda do espírito que,me permitirá adquirir um novo tesouro, cujo conteúdo me é oferecido pelos novos povos com que contacto, pela cultura ou pelos elementos naturais distintos, dos que encontro no lugar a que chamo “casa”. O ganhar de uma nova visão sobre as distinções existentes entre as diversas culturas é dos aspectos que mais me atrai. Por exemplo, quando assistimos a uma celebração eucarística de uma diferente religião, num país também ele diferente, o conhecimento do outro e de uma outra divindade pode revelar-se uma experiência inesquecível. A gastronomia é, sem dúvida, outro factor interessante a considerar. Os portugueses afirmam-se um pouco por todo o Mundo neste domínio, no entanto, será nobre relembrar que a nossa riqueza, a nossa expressividade nesta arte está intimamente relacionada com as viagens realizadas num passado glorioso. Viajar para conhecer outras culturas gastronómicas é por isso, não só uma retoma de velhas práticas como também uma forma de alargarmos, ainda mais se possível, o nosso conhecimento.
Em suma, a viagem, para além de oferecer ao homem a possibilidade de se libertar de um “monótono dia a dia” ou de uma “ânsia de querer viver tudo”, permite um profundo contacto com outro. O outro que existe em cada nova experiência que vivemos e que nos deixa uma marca duradoura na memória e, quiçá, na vida.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
África
Correr para ficar só
e extasiada, naquela bruma
que encandeia, que alegra,
que gera vontade.
Sentir os sons,
os cheiros, as cores
o quente da aragem,
do infinito que existe,
na profunda renovação do "eu".
Isto é África meus amigos,
não a África que existe
na tristeza dos jornais,
ou nas lágrimas dos esfomeados.
Esta é a África bela,
O lugar único.
O lugar onde Deus ousou espelhar
o que de mais belo
existe na imaginação dos Homens.
Sentir-me,
É sentir-me lá,
numa África que podendo não existir no espaço
podendo não existir no tempo
da minha infância ou da minha velhice
Existe.
Porque outrora a sonhei.
e extasiada, naquela bruma
que encandeia, que alegra,
que gera vontade.
Sentir os sons,
os cheiros, as cores
o quente da aragem,
do infinito que existe,
na profunda renovação do "eu".
Isto é África meus amigos,
não a África que existe
na tristeza dos jornais,
ou nas lágrimas dos esfomeados.
Esta é a África bela,
O lugar único.
O lugar onde Deus ousou espelhar
o que de mais belo
existe na imaginação dos Homens.
Sentir-me,
É sentir-me lá,
numa África que podendo não existir no espaço
podendo não existir no tempo
da minha infância ou da minha velhice
Existe.
Porque outrora a sonhei.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Ir
Ir:O movimento que consegue não nos mover.
Pensamos que vamos,
Queremos ir
Fazemos de tudo para o conseguir...
E não vamos.
Sentimos tudo para ir,
fazemos as malas e as despedidas...
Mas ficam só as palavras.
Não vamos.
Quando vamos,
Ah...
quando vamos,
tão poucas vezes...
Não existe
Nenhum movimento real,
Nenhuma mudança,
Nenhum novo Mundo.
É ir.
Ir,
pensando que algo vai mudar...
e nada muda.
Por isso, no fim,
o que sentimos
é como se nunca tivéssemos chegado a ir.
Pior,
é sentir que fomos, voltámos
e nada trouxemos.
Está na hora,
está na hora de deixarmos de ser
estas coisas Humanas.
Vamos.
Vamos.
Vamos.
Porque eu quero ir.
E não preciso de fugir,
Não preciso de ir para longe,
Só preciso de sentir...
A metamorfose que se sente,
quando se vai.
Vamos.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Um livro
Procura-se naquela Savana de mistérios,
O livro Esquecido,
que durante tanto tempo
foi para nós
Vivo
E Vida.
Corro.
Não correndo como uma preza corre.
Com o medo de vir a perder,
O que inconscientemente,
não chama vida,
mas vive.
É correr... procurando.
Como uma mãe corre,
sempre, sem mostras de cansaço,
pelos seus filhos.
Essas inscrições,
esse livro,
que não sendo o feto do meu ventre
É na verdade um fruto,
Do que mais nosso existe.
É o meu e o teu filho.
É o nosso fruto,
tão apetec(ido)
e tão proibido.
Quando um dia,
nos lembramos de procurar
as memórias,
todas estas memórias.
Não é por acaso.
É porque temos saudades.
E as minhas,
não são do livro,
que deixámos na Savana.
O livro Esquecido,
que durante tanto tempo
foi para nós
Vivo
E Vida.
Corro.
Não correndo como uma preza corre.
Com o medo de vir a perder,
O que inconscientemente,
não chama vida,
mas vive.
É correr... procurando.
Como uma mãe corre,
sempre, sem mostras de cansaço,
pelos seus filhos.
Essas inscrições,
esse livro,
que não sendo o feto do meu ventre
É na verdade um fruto,
Do que mais nosso existe.
É o meu e o teu filho.
É o nosso fruto,
tão apetec(ido)
e tão proibido.
Quando um dia,
nos lembramos de procurar
as memórias,
todas estas memórias.
Não é por acaso.
É porque temos saudades.
E as minhas,
não são do livro,
que deixámos na Savana.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
(V)ealidade
Parada.
Como a chuva quando nos chega ao canto da boca,
E não encontra mais
Espaço de fruição.
Do que me apercebo,
pouco conta.
Tudo o resto que me passa:
Verdades, verdades, verdades.
Era só assim que queria:
O recalcado para um eu,
que não preciso de conhecer.
O Dependente para um eu,
que sonho não existir.
E por fim,
As verdades, verdades, verdades,
Para uma realidade que julgam existir,
Mas que,
Nunca o seria (real) caso esse dom não lhe concedêssemos .
Mas...
Pára.
Sim, tu também.
Não são essas
Verdades, verdades, verdades
que me incomodam.
É o valor que lhes dás.
Não será tudo mais verdade,
Embora menos real,
Tudo aquilo que julgamos parte de um sonho,
ou parte de uma estrutura inexistente?
E aqui paramos.
Tu e eu.
Absortos:
Pressupõe a verdade realidade?
...
Todo o inverso será chuva.
Chuva ácida, que escorre, sempre, pelos cantos da boca.
Como a chuva quando nos chega ao canto da boca,
E não encontra mais
Espaço de fruição.
Do que me apercebo,
pouco conta.
Tudo o resto que me passa:
Verdades, verdades, verdades.
Era só assim que queria:
O recalcado para um eu,
que não preciso de conhecer.
O Dependente para um eu,
que sonho não existir.
E por fim,
As verdades, verdades, verdades,
Para uma realidade que julgam existir,
Mas que,
Nunca o seria (real) caso esse dom não lhe concedêssemos .
Mas...
Pára.
Sim, tu também.
Não são essas
Verdades, verdades, verdades
que me incomodam.
É o valor que lhes dás.
Não será tudo mais verdade,
Embora menos real,
Tudo aquilo que julgamos parte de um sonho,
ou parte de uma estrutura inexistente?
E aqui paramos.
Tu e eu.
Absortos:
Pressupõe a verdade realidade?
...
Todo o inverso será chuva.
Chuva ácida, que escorre, sempre, pelos cantos da boca.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Há muito
Avizinhando-se um fim violento,
já só o coração palpita,
pelas hipóteses que escolhi e não escolhi.
No fim de fazer as minhas, e as contas do Diabo,
no fim de perder horas a fio
nas insónias,
nos sonhos tristes,
nos infortúnios maiores que as glórias;
Só tenho uma certeza:o grito final será meu!
Poderás gritar também...
Mas não te quero ouvir.
Há muito que já só me vejo a mim,
naquele prado verde,
já seco de tantos Invernos terem por lá passado.
Há muito que só me vejo a mim,
Em todo e em qualquer lugar...
E nesta minha confissão,
Que apesar de minha, só para mim traz surpresa,
Não te desculpo, nem peço desculpas,
Porque tu, e só tu...
Já sabias quem eu era...
Muito antes de eu ou o Amor existirmos.
já só o coração palpita,
pelas hipóteses que escolhi e não escolhi.
No fim de fazer as minhas, e as contas do Diabo,
no fim de perder horas a fio
nas insónias,
nos sonhos tristes,
nos infortúnios maiores que as glórias;
Só tenho uma certeza:o grito final será meu!
Poderás gritar também...
Mas não te quero ouvir.
Há muito que já só me vejo a mim,
naquele prado verde,
já seco de tantos Invernos terem por lá passado.
Há muito que só me vejo a mim,
Em todo e em qualquer lugar...
E nesta minha confissão,
Que apesar de minha, só para mim traz surpresa,
Não te desculpo, nem peço desculpas,
Porque tu, e só tu...
Já sabias quem eu era...
Muito antes de eu ou o Amor existirmos.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
O constraste n'Os Lusíadas
Os Lusíadas, uma obra de contrastes.
Em tudo Luís Vaz de Camões foi um irreverente. Pela vida que escolheu, ou não escolheu, pelas questões, pelas respostas, pelos desacatos, pelo sentido humanista fervoroso e até pela epopeia que criou, que apesar das regras rígidas a que é restrita, teve a possibilidade de encontrar a profunda ruptura com o que habitualmente chamamos clássico.
Na grandiosa obra Camoniana, ao contrário de todos os outros que pelo Velho continente ousaram apenas representar e glorificar os feitos de um herói individual ou colectivo, encontramos um novo sentido para a escrita do século XVI. Assumindo um espírito pedagógico Camões, associou à magnífica história das Descobertas e à fantasia dos Deuses pagãos a crítica ao povo que lhe era contemporâneo e ao próprio povo da Era Áurea. Assim, mais ou menos nas entrelinhas de uma obra densa, mas como uma valorosidade digna de um génio, o Poeta não chega só ao coração, mas também à consciência dos que ousam navegar num oceano que é tão ou mais profundo que o próprio Índico.
Não é só pela ruptura, não é só pela novidade que foram Os Lusíadas, que consideramos esta obra, uma obra de contrastes. É por todas as almas que inquietadas ficaram com as maravilhas e as desgraças que os próprios portugueses edificaram. Nesta epopeia, sempre por desvendar, temos acesso ao bom e ao mau, ao claro e ao escuro, à coragem que se culmina na chegada, ao medo que se revela com o Gigante Adamastor, à debilidade e angústia do Velho do Restelo, à ambição dos Reis que fizeram cumprir as jornadas, à fé que se queria difundir numa missão de cruzada, ao ouro que se queria adquirir nas novas rotas comerciais traçadas... Tudo isto mais as críticas à própria falta de sentido crítico, à ausência de inquietação perante a arte, a poesia, o conhecimento e a música. Os apelos ao Rei que tinha de ter a coragem para enfrentar os inimigos e honrar os amigos, os apelos... tantos apelos contrastantes, que ganhando vida numa História passada, deram a Camões o lugar de narrador nesta estória bastante mais intemporal.
Tudo isto (e tudo o que está para além do que se vê), se encontra num enorme fascículo de dez cantos. Estes que, apesar de complexos formal e informalmente, têm a capacidade de deleitar qualquer um que se lance na descoberta da literatura camoniana. Na leitura, somos sugados pela emoção de uma passado que é de todos nós, um passado que vive no sangue velho dos nossos avós, um passado que é simultaneamente uma frida, que continuamente aberta, nos relembra todos os dias que o Tempo e a Glória que construímos um dia a partir da Barra, não mais nos pertencem. Nisso também Camões pensou, cansando-se da gente surda e endurecida, apelou às novas conquistas, à libertação da vã cobiça, da tirania e da vil tristeza, de tal forma que, possamos verdadeiramente ascender um dia ...ao estatuto de heróis honrados.
Em tudo Luís Vaz de Camões foi um irreverente. Pela vida que escolheu, ou não escolheu, pelas questões, pelas respostas, pelos desacatos, pelo sentido humanista fervoroso e até pela epopeia que criou, que apesar das regras rígidas a que é restrita, teve a possibilidade de encontrar a profunda ruptura com o que habitualmente chamamos clássico.
Na grandiosa obra Camoniana, ao contrário de todos os outros que pelo Velho continente ousaram apenas representar e glorificar os feitos de um herói individual ou colectivo, encontramos um novo sentido para a escrita do século XVI. Assumindo um espírito pedagógico Camões, associou à magnífica história das Descobertas e à fantasia dos Deuses pagãos a crítica ao povo que lhe era contemporâneo e ao próprio povo da Era Áurea. Assim, mais ou menos nas entrelinhas de uma obra densa, mas como uma valorosidade digna de um génio, o Poeta não chega só ao coração, mas também à consciência dos que ousam navegar num oceano que é tão ou mais profundo que o próprio Índico.
Não é só pela ruptura, não é só pela novidade que foram Os Lusíadas, que consideramos esta obra, uma obra de contrastes. É por todas as almas que inquietadas ficaram com as maravilhas e as desgraças que os próprios portugueses edificaram. Nesta epopeia, sempre por desvendar, temos acesso ao bom e ao mau, ao claro e ao escuro, à coragem que se culmina na chegada, ao medo que se revela com o Gigante Adamastor, à debilidade e angústia do Velho do Restelo, à ambição dos Reis que fizeram cumprir as jornadas, à fé que se queria difundir numa missão de cruzada, ao ouro que se queria adquirir nas novas rotas comerciais traçadas... Tudo isto mais as críticas à própria falta de sentido crítico, à ausência de inquietação perante a arte, a poesia, o conhecimento e a música. Os apelos ao Rei que tinha de ter a coragem para enfrentar os inimigos e honrar os amigos, os apelos... tantos apelos contrastantes, que ganhando vida numa História passada, deram a Camões o lugar de narrador nesta estória bastante mais intemporal.
Tudo isto (e tudo o que está para além do que se vê), se encontra num enorme fascículo de dez cantos. Estes que, apesar de complexos formal e informalmente, têm a capacidade de deleitar qualquer um que se lance na descoberta da literatura camoniana. Na leitura, somos sugados pela emoção de uma passado que é de todos nós, um passado que vive no sangue velho dos nossos avós, um passado que é simultaneamente uma frida, que continuamente aberta, nos relembra todos os dias que o Tempo e a Glória que construímos um dia a partir da Barra, não mais nos pertencem. Nisso também Camões pensou, cansando-se da gente surda e endurecida, apelou às novas conquistas, à libertação da vã cobiça, da tirania e da vil tristeza, de tal forma que, possamos verdadeiramente ascender um dia ...ao estatuto de heróis honrados.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















