Frase do Dia

  • "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Vila D'Arcos

Um excerto de um livro de Sophia de Mello Breyner que me disse muito quando era criança e que, ainda me diz...

(...)Há jardins imprevistos, mais subtis e complexos do que o imaginável, onde crescem altas magnólias, com grandes flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas e onde a água de prata que irrompe das boca dos golfinhos de pedra cai nos pequenos tanques oitavados. Jardins de buxo, camélias, e violetas perfumados de contemplação e paixão, de esquecimento e silêncio. Jardins docemente abandonados a uma solidão dançada pelas brisas, enquanto um longo sussurro de adeus acena de folha em folha nos ramos mais altos das árvores. Jardins onde reconhecemos que a vida é um sonho do qual jamais acordamos, um sonho onde irrompem aparições prodigiosas como o lírio, a águia, e o inesquecível rosto amada com paixão, mas onde tudo se transformar em esquecimento, distância, impossibilidade e detrito. Jardins onde reconhecemos que a nossa condição é não saber. É não poder jamais encontrar a unidades. E encontrar a unidade seria acordar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Post-it

Hoje...

A porta que utilizas todos os dias deverá ter um post-it com


"Hoje encontraste a felicidade? Se não, sai por esta porta e vai à procura dela!"

domingo, 8 de janeiro de 2012

Naquela Manhã

Manhã.
Os raios de sol, por entre as folhas de palmeira, despertaram-te de um sono sem sonho. Movido pela melodia do mar, saíste pelas escadas sem corrimão da cabana que havíamos construído na praia.
O cheiro das flores selvagens, a brisa breve de uma manhã calma.

Chamaste por mim.
E o ar que te envolvia não te trouxe respostas.
Olhaste para diante e viste na areia junto ao mar as pegadas de rasto perdido. Era o mistério de quem ali já não vivia.
Aquela era a manhã em que eu tinha partido.

Nas vezes em que projectei uma embarcação naquela baía, não acreditaste nos meus projectos.
Nas vezes em que te disse que o fogo chamava as almas, e as estrelas as amizades, julgaste as minhas filosofias.
Nas vezes em que te disse que estava fraca, não acreditaste, porque todas as manhãs o sorriso que exigias estava lá.

E agora és tu, na solidão do que é e sempre será nosso.

Sentirás à mesma a brisa, o rebentar das ondas, os raios de sol, o quente do fogo.
Sentirás, mas nunca da mesma forma.

E, quando deixares a ilha que amaste
Há quem te vá dizer que fugi ou que morri.
Mas...
Tu sabes.

Eu voei.